Partilha e Solidariedade

Revisitar o Sínodo Diocesano A Campanha diocesana desta Quaresma propõe-nos, para esta semana, a vivência da partilha e solidariedade. As nossas renúncias quaresmais têm, para além do objectivo de nos educar no auto domínio e na sobriedade, a finalidade de nos fazer exercitar a partilha fraterna, a consciência de solidariedade com os mais pobres.

A educação para o uso cristão dos bens faz-se com práticas repetidas, decididas e assumidas com função educativa. Todos os anos, os responsáveis diocesanos nos propõem motivos de exercício dessa partilha fraterna, que nos faz olhar para o que temos e como o usamos, que nos faz olhar para os outros – concretos! – e decidir como vamos exprimir a nossa caridade.

O II Sínodo Diocesano de Aveiro não esqueceu formas próprias de actuação pastoral, que fundamentam estas “peregrinações educativas” que são as campanhas. Dois parágrafos nos merecem especial atenção esta semana.

O Sínodo propõe: “Educar na paróquia, através das diversas actividades catequéticas, litúrgicas e sócio-caritativas, para a prática da justiça social, da comunicação cristã de bens e da disponibilidade generosa para a partilha de bens e serviços, não só no interior da própria comunidade, mas também com outras comunidades cristãs”.

Não se trata, por isso, de um apêndice ao trabalho habitual. Trata-se de colocar no cerne desse trabalho, esta preocupação fundamental de não chamar a nada seu e de fazer reverter essa convicção em práticas, de modo que não falte a cada um o que é necessário e resulte o testemunho de que os cristãos vivem num só coração e numa só alma!

E ainda: “Assumir em cada comunidade e na Diocese, mediante os órgãos responsáveis, o Fundo Económico Paroquial e o Fundo Diocesano de Compensação do Clero, como instrumentos adequados ao uso e partilha de bens e à promoção efectiva, segundo critérios evangélicos, de uma verdadeira fraternidade solidária”.

A Igreja não pode viver à maneira de uma empresa (nem de micro empresas paroquiais) como gestão de fundos com fins lucrativos. As estruturas administrativas só têm sentido como motores desta espiritualidade de comunhão e partilha. Daí que ganhe cada vez mais consistência a ideia de que, para evitar gestões “descristianizadas”, os conselhos económicos devam ser também pastorais. Só quem entende e se compromete na missão da Igreja percebe que ela tem de ser laboratório do justo uso dos bens, como parte integrante do testemunho da sua credibilidade!

Querubim Silva