Emigração Humanizada “Eliminar as causas da emigração, defender a família e seus múltiplos requisitos, apontar as responsabilidades dos leigos, evidenciar a contribuição positiva dos migrantes, destacar a obra da evangelização, os problemas da fé e a actualidade do diálogo inter-religioso, fitar Nossa Senhora como modelo, incrementar uma pastoral específica desafiando a comunidade paroquial, convocar a cultura e o desenvolvimento, confiar no acolhimento e nas múltiplas formas de integração, salientar a função da comunicação social e os perigos do neo-racismo e da xenofobia, unir as famílias à solidariedade,” — são algumas das numerosas questões com que o Papa João Paulo II alerta o mundo.
No texto, extraído do documento Migrações — Mensagem de Paulo II, está consubstanciada toda uma doutrina, uma meta a atingir para que as migrações não continuem a ser uma miragem neste deserto em que se movimentam as etnias, os imigrantes ou os nossos emigrantes por esse mundo fora. Alguns destes aspectos pude constatar na recente deslocação à Hungria, integrado na Delegação Portuguesa do Con-gresso Mundial dos Ciganos, Etnias e Migrações a que já nos temos vindo a referir. É que a situação planetária neste universo de desigualdades abissais é deveras complexa, preocupante. Por isso há que repisar, lançar S.O.S. permanentes e constantes. A tese da solidariedade generalizada e específica passa por entendimento recíproco de quem são os e/imigrantes, as etnias, raças…
Estas e outras situações começaram a ser debatidas, ontem, em Fátima, na XXI Semana Nacional da Pastoral Social que vai até sexta-feira.
O Padre Álvaro Pereira, Director do Secretariado Nacional da Acção Social e Caritativa, faz um apelo a que a Semana seja cheia de vida, de interpelações, de tomadas de posição. Salienta, designadamente, que “Portugal, desde a época de Quinhentos, é um País de imigrantes, fenómeno gémeo da epopeia dos Descobrimentos. No dinamismo da Emigração, o nosso País vazou todo o seu espírito aventureiro e empreendedor, dando “Novos mundos ao Mundo”. Desde a década de noventa e neste início do novo século, Portugal ganhou uma nova característica: tornou-se também um País de Imigração. Cerca de 500 mil estrangeiros, entre legalizados e não documentados, provenientes de vários quadrantes geográficos, predominando o Leste europeu, Brasil e vários países africanos, mourejam e tentam melhorar a sua situação económica no nosso País. Já todos demos pela sua presença e actividade desde os grandes centros urbanos à mais remota aldeia.”
Para o Padre Álvaro, “este é um desafio frontal a Portugal, país de Navegadores e de Emigrantes: saber acolher, ajudar a integrar na sociedade civil e religiosa esta multidão de estrangeiros, contribuindo para a sua felicidade.”
Ciganos querem “cor” Europeia
Das muitas conclusões extraídas do Congresso Mundial de Pastoral para Ciganos, em terras da Hungria e a que já temos aludido, evidenciamos, nesta semana, a última directamente ligada à Igreja e Igrejas locais.
Todo o Mundo deve trabalhar, muito em especial a Europa e cada País pugnando para que a etnia cigana não seja em nada marginalizada, com direito à livre circulação, à habitação, à escola, etc.
Os Congressistas de 26 países pedem às Igrejas locais que tenham um espírito profético para denunciar as injustiças das quais são vítimas grupos ciganos que se encontram no seu território: são injustiças que se manifestam, seja indiferença egoísta, sejam preconceitos e discriminações,” salientando-se que “a Igreja é chamada a sustentar o empenho pastoral em todo o planeta, na consciência das ligações profundas que unem a evangelização à promoção humana”, acentuando-se que este apelo tem também uma “cor” europeia”.
De facto, não se pode olvidar, de uma maneira ou outra, os cinco milhões de ciganos no mundo a sofrerem de marginalidade para que não se voltem a repetir as tragédias do século passado, designadamente o desejo da extirpação de ciganos, como sucedeu, também, a outras raças, cores, ou judeus. Os tempos de hoje estão a ser propícios a estas tragédias assassinas. Alerta, pois!
“A Igreja tem de se voltar, portanto, com atitude de mãe para todos os Rom, assim discriminados e não violentos, no entanto sujeitos a terrível sorte, na Europa, especialmente no século passado, e manifestará para esses a sua solicitude em vista do seu bem espiritual, mas também em defesa dos seus direitos humanos conculcados.”
Que esta etnia seja, também, recordada nesta Semana de Pastoral Social.
D.R.
