Nasceu o Sol da Páscoa gloriosa,
Ressoa pelo céu um canto novo,
Exulta de alegria a terra inteira.
(…)
Rei imortal, conTigo glorifica,
Neste dia de glória, os que em Teu nome
Renasceram das águas do Batismo.
E desça sobre a Igreja e sobre o Mundo,
Como penhor de Paz e de Esperança,
A luz da Tua Páscoa esplendorosa.
Estas são algumas das estrofes de um Hino de Laudes do tempo pascal. E, como podemos verificar, proclamam uma atmosfera de alegria e de esperança, que desponta na manhã da Ressurreição, para inundar toda a terra. A Cristo glorioso isso mesmo suplica: que invada o coração de todo o batizado e se torne o sólido alicerce de uma vida de Paz e de Esperança.
As celebrações litúrgicas destes dias narram-nos os gestos últimos e definitivos que exprimem a entrega do Senhor Jesus para nos abrir insondáveis horizontes. A Sua fidelidade à missão que assumiu, a incondicional identificação com as nossas fragilidades, até à própria morte, sem reclamar para Si privilégios como Deus, a Ceia tornada sacramento de serviço dos irmãos, a árvore da Cruz erguida como árvore dessa Vida, capaz de atrair todos a si, o silêncio fecundo do sepulcro onde germina essa mesma Vida, para nos libertar de todas as podridões humanas e desaguar numa fulgurante aurora de Luz…
É esta a “passagem” que celebramos: do homem velho do pecado ao homem novo da graça; da corruptibilidade desta vida transitória à vida consistente e perene; das sombras e noites de angústia de um futuro sem esperança à certeza da brisa fresca e aurora luminosa de novos recomeços…
O caminho de libertação que fomos chamados a viver na Quaresma não tem outro objetivo que não seja este: abrir os nossos ouvidos para escutarmos e nos deixarmos entusiasmar por este canto novo; libertar os nossos corações para acolher Cristo ressuscitado como penhor de Paz e Esperança.
Celebramos este mistério do Filho de Deus que também é Filho do homem, um só Deus com o Pai, um só homem com os homens – no dizer de Santo Agostinho – para que todos nós participemos da Sua glória. Assumiu a nossa natureza criada, para a mudar e transformar – continua Agostinho.
Descobrir a condição divina do Salvador não é conquista nossa, é dom de Deus, que se acolhe na simplicidade de coração e na humildade de uma procura permanente, fazendo múltiplos caminhos de Emaús à escura da Palavra e sentando-nos serenamente à mesa da Eucaristia, para O reconhecermos no partir do Pão.
É assim que nos capacitamos para retornar à cidade dos homens e proclamar a plenos pulmões, com palavras e atitudes, por entre os ossos ressequidos das mazelas humanas, aleluias convictos e contagiantes, potentes para ressuscitar as vidas definhadas.
