Colaboração Recordo a visita que o Cardeal Joseph Ratzinger fez a Fátima em 12 e 13 de Outubro de 1996. Agora, o santuário espera-o como pontífice máximo “Urbi et Orbi”.
Na sua homilia, em 1996, falou do Sacrifício Eucarístico. Depois conversou com os jornalistas, num diálogo um tanto conturbado. Na altura representei o “Comércio do Porto” e o “Correio do Vouga”.
Estou a vê-lo, agora à distância do tempo, como a figura importante do Vaticano em matéria de Fé fugia de responder a perguntas ardilosas, como torneava os assuntos expostos pelos jornalistas, em matérias tão delicadas, como era, por exemplo, o segredo de Fátima: “A Senhora de Fátima não tinha e não tem critérios jornalísticos e muito menos cria sensacionalismos. E se a Santa Sé não revela o segredo é para evitar transformar uma manifestação de Fé nos sensacionalismos”, disse. No entanto, acrescentou que “o segredo não tem nada de essencial para a fé”. E reforçou que “o Vaticano II pode ter um certo relacionamento com a mensagem de Fátima ainda escondida nas aparições. O Vaticano foi, de certo modo, uma concretização da mensagem da Virgem, e com a sua convocação, João XXIII fez algo de transcendente como resposta à mensagem da Virgem”. Ratzinger vincou ainda que “o segredo não revela nenhuma tragédia futura para a humanidade. A Senhora não aponta pormenores sobre o futuro nem se ocupa da grande história do mundo, mas procura antes ajudar no caminho da fé”. “Não há coisas terríveis no segredo, mas importantes”, rematou.
Naquele minidiálogo ainda se falou de Timor Leste (D. Ximenes Belo tinha acabado de ser proclamado Prémio Nobel da Paz), mas o prelado escusou-se a comentários, desabafando que “o problema da paz deve preocupar todo o mundo”, numa alusão indirecta ao caso da Indonésia/Timor- Leste.
Que nos virá dizer agora o Papa de todos? Certamente que a mensagem poderá ser esta: Portugal, Fátima, abre-te ao mundo. Mundo, abre-te à mensagem da Cova da Iria!
E eu proclamarei da minha janela, içando a bandeira, já que às multidões não me posso juntar: Viva o Papa!
Daniel Rodrigues
