Passeios baratos, saudáveis, ecológicos e culturais

A pé ou de bicicleta O período de férias está a chegar ao fim. Mas ainda há tempo para sugerir alguns percursos pedestres. Caminhar nestes trilhos, além de barato, é saudável, ecológico e cultural, com a vantagem de esta prática poder ser levada a cabo em qualquer altura do ano.

O turismo ecológico (ou ecoturimo) está em alta. São cada vez mais as pessoas que procuram alternativas à praia, virando-se para o campo e a montanha. Entre as práticas do ecoturismo mais comuns estão as caminhadas.

Caminhar faz bem ao corpo e à mente. É uma necessidade cada vez maior, para contrapor aos estilos de vida actuais, maioritariamente sedentários. Daí que, respondendo à procura das pessoas, muitas câmaras municipais e freguesias marquem percursos no campo ou em meio urbano e editem folhetos sobre a história, cultura e natureza que esses trilhos permitem observar. Sem esgotar todos os percursos da região de Aveiro, deixamos aqui algumas sugestões em Sever do Vouga, Ílhavo e Estarreja.

Na antiga Linha do Vouga

A Câmara Municipal de Sever do Vouga transformou a desactivada linha de comboio que ligava Sernada a Viseu num caminho ideal para percorrer entre o lugar da Foz (no limite do concelho de Albergaria-a-Velha) e as antigas fábricas e estação CP de Paradela do Vouga. Este percurso, feito, em parte, a par da Estrada Nacional 16 e do Rio Vouga, passa por três túneis e por cima da magnífica ponte de pedra do Poço de Santiago, em Pessegueiro do Vouga. Com um comprimento de cerca de 10 km, este estradão é muito procurado por adeptos da BTT (bicicletas todo-o-terreno). Como tem muitas sombras, pode ser feito mesmo nos períodos de maior calor.

Trilhos de Ílhavo

No concelho de Ílhavo estão marcados no terreno quatro percursos pedestres, uns mais urb-nos, outros mais de natureza.

O percurso “Entre a Ria e o Mar” tem início e fim junto ao farol da Barra e ao longo de 11 km e permite observar a Ria e o Mar na Barra e Costa Nova de ângulos pouco habituais. A paisagem dunar vista dos passadiços ou a Ria e o navio Santo André vistos do miradouro da Barra deslumbram mesmo quem passa habitualmente nestes locais.

“Entre a Ria e a Floresta” tem início no Cais da “Bruxa” (Gafanha da Encarnação) e termina junto à Capela de Nossa Senhora dos Campos (Colónia Agrícola). Este percurso de 15 km (duração aconselhada de 5 horas) divide-se entre a Ria e a floresta, permitindo observar aves na Ria e extensos tapetes de líquenes na mata. Na floresta, surgem em vários momentos as casas dos colonos que, a partir de 1952, ocuparam esta zona. Cada um dos 75 casais tinha direito a 3 hectares para cultivar. Perto do final do percurso fica o Santuário de Schoenstatt.

Com apenas 3 km de extensão, o percurso “Costa Nova” é um trilho urbano que convida a “descobrir a vivência, a história, as tradições e os sabores de uma povoação de pescadores”. As fachadas das casas da Costa Nova são conhecidas internacionalmente, é certo, mas aventurar-se a pé pelo interior da povoação, pelas ruas estreitas e pelas escadinhas, oferece outra visão da Ria e descobre-se que a Costa nova não é plana. Partindo deste percurso (ou do “Entre a Ria e o Mar”) é obrigatório visitar o Palheiro de José Estêvão, casa típica que chegou a hospedar Eça de Queiroz.

O trilho cultural “Na Rota das Padeiras” foi lançado no passado 18 de Agosto. Feito por alcatrão e carreiros (5,8 km), em zona urbana e de pinhal, com início e fim no Largo da Padeira, convida a visitar os fornos onde se coze a lenha o pão de Vale de Ílhavo.

Para 22 de Setembro, Dia Europeu sem carros, a Câmara Muni-cipal de Ílhavo promete lançar o trilho “Urbano de Ílhavo”.

Sobre qualquer dos percursos referidos estão disponíveis folhetos com mapas e outras informações, nas juntas de freguesia e nos postos de turismo.

Percurso de Salreu do BioRia

Com uma extensão de 8,5 km, este percurso que já adquiriu reconhecimento internacional é circular, tendo início e fim no esteiro de Salreu (para chegar ao início, a partir da EN 109, segue-se na direcção do apeadeiro da CP). O trilho atravessa arrozais, sapais e pauis. Com facilidade o caminhante se surpreenderá ao avistar garças-vermelhas, andorinhas-das-chaminés (com a garganta vermelha), cegonhas e pernilongos, águias-sapeiras ou frangos-d’água. Com alguma sorte, pode avistar lontras e raposas, entre muitas outras espécies.

O percurso dispõe de diversas placas com informações sobre os ecossistemas e suas espécies animais e vegetais, possibilitando um trajecto autodidacta. Para ouvir as informações de especialistas do projecto BioRia, o caminhante ainda poderá fazer este percurso nos dias 5 e 12 de Setembro (partida às 9h30), de forma gratuita, inscrevendo-se em bioria@cm-estarreja.pt.

Ciência de Verão

Astronomia, Biologia, Geologia, Engenharia e Faróis são os temas que integram a edição deste ano do programa “Ciência viva no Verão”, que decorrem um pouco por todo o país, com a participação das mais diversas entidades, das universidades às autarquias.

Na área geográfica da diocese de Aveiro, estão previstas inúmeras actividades.

Na Astronomia terão lugar as seguintes acções: Salgueiro (Parque da Pateira, pelas 22 horas, no dia 30 de Agosto), Calvão (Colégio de Calvão, pelas 15 horas, no dia 8 de Setembro) e Aveiro, (Rossio, pelas 22 horas, no dia 14 de Setembro).

Na área da Biologia ainda vão decorrer as seguintes visitas: “A Ria de Aveiro como zona húmida – aspectos da sua flora”, de Aveiro à Costa Nova (partida pelas 9h15, no Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro); “À descoberta do Parque Infante D. Pedro”, em Aveiro (pelas 9h30, no dia 31 de Agosto); “Passeios guiados pelo Percurso de Salreu do BioRia”, em Salreu (com partida pelas 9h30, nos dias 5 e 12 de Setembro).

Na área da Geologia ainda irão ocorrer dois eventos da “Geologia subaquática da Ria de Aveiro”, que terão lugar no dia 6 de Setembro, com encontros marcados para as 10 e as 14 horas, na Docapesca, por iniciativa do Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro.

O farol da Praia da Barra pode ser visitado no dia 8 de Setembro, pelas 17h45.

C.F.