Pastor da comunidade

Revisitar… O Magistério O ministério e vida dos sacerdotes não é apenas uma questão pessoal. Para além da unidade sacramental do presbitério, que tem de marcar o pensar e o agir dos presbíteros, a condição de ordenado para o serviço da Comunidade gera, indubitavelmente, uma faceta nova da personalidade presbiteral. “O sacerdote é chamado a confrontar-se com as exigências típicas dum outro aspecto do seu ministério… Trata-se do cuidado da comunidade que lhe foi confiada e que se exprime sobretudo no testemunho da caridade” – DMVP 55.

Esta cura do povo a quem somos enviados transforma a essência do nosso carácter pessoal, reforçando com novos matizes e exigências a teia das nossas relações humanas e eclesiais, recusando liminarmente qualquer espécie de funcionalismo e toda a forma de individualismo. Ordenamo-nos a título de serviço. Aí reside a moldura fundamental do nosso comportamento pastoral.

“Pastor da comunidade, o sacerdote existe e vive por ela; por ela reza, estuda, trabalha e se sacrifica; por ela está disposto a dar a vida, amando-a como Cristo, dirigindo para ela todo o seu amor e a sua estima, prodigalizando-se com todas as forças e sem limites de tempo para a tornar, à imagem da Igreja esposa de Cristo, cada vez mais bela e digna da complacência do Pai e do amor do Espírito Santo” – DMVP 55.

Tomamos a sério esta relação esponsal com a Igreja, no serviço quotidiano das nossas comunidades? Não há lugar para reservas ou para meros serviços despidos de dedicação apostólica! “Esta dimensão esponsal da vida do presbítero como pastor fará com que ele guie a sua comunidade servindo com dedicação todos e cada um dos seus membros, esclarecendo as suas consciências com a luz da verdade revelada, defendendo com autoridade a autenticidade evangélica da vida cristã, corrigindo os erros, perdoando, sanando as feridas, consolando as aflições, promovendo a fraternidade” – DMVP 55.

Certamente que os programas, os horários, a orgânica, tudo isso é um suporte auxiliar que permitirá um melhor serviço e dedicação. Mas a atitude interior está acima de tudo isso. Só ela poderá exprimir com verdade a opção feita: “Fiz-me tudo para todos”… E os fiéis bem sabem perceber se este é o dinamismo profundo da entrega sacerdotal ou se interesses alheios à consagração plena povoam o quotidiano dos seus pastores.

A comunhão com a comunidade dos fiéis é ela própria sinal e prolongamento da comunhão com Deus, tornando-se, desse modo, testemunho eloquente da caridade cristã. “Este conjunto de atenções, delicadas e complexas, para além de garantir um testemunho de caridade cada vez mais transparente e eficaz, manifestará também a profunda comunhão que deve estabelecer-se entre o presbítero e a sua comunidade, como prolongamento e concretização da comunhão com Deus, com Cristo e com a Igreja” – DMVP 55.