Símbolos Cristãos – 2 O cristianismo é o seguimento do Bom Pastor, que é Jesus. Os cristãos, embora não apliquem com muita frequência o termo “Pastor” ao padre (ao contrário do uso frequente entre evangélicos), usam-no em relação ao Bispo; e inventaram a partir dessa palavra um adjectivo e um substantivo para se referirem à acção da Igreja (adjectivo: trabalho pastoral, zelo pastoral, ano pastoral…; substantivo: pastoral juvenil; pastoral dos doentes; pastoral litúrgica…).
Quando Jesus Cristo se autodenominou “bom pastor” (Jo 10,11) assumiu uma ideia com séculos de história (ver igualmente Ez 34,1-31). Grandes líderes haviam sido pastores (Moisés, David, Amós..), e o profeta Jeremias serve-se da imagem para criticar os governantes de Judá, pastores insensatos (Jr 2,8; 10,21; 23,1-3), e para anunciar que Deus dará ao seu povo pastores que o apascentarão sabiamente (Jr 3,15; 23,4).
Nesta tradição espiritual, não é de admirar que as primeiras gerações de cristãos, na hora de representar pictoricamente Jesus Cristo, tenham escolhido a figura do pastor. Nas catacumbas romanas, há mais de cem imagens como as três aqui reproduzidas. Normalmente, surge um jovem, sem barba, com uma túnica de camponês, sem mangas, e de sandálias. Às vezes carrega aos ombros uma ovelha (a ovelha perdida de Lucas 15) – ou uma cabra – e um balde nas mãos.
Mas havia um outro motivo para representar Jesus como pastor. Na cultura romana pagã, por via da literatura e da mitologia, o pastor tinha prestígio. Era a personificação do ideal de sabedoria campestre, o ideal da harmonia com a natureza (mais tarde, este ideal inspiraria a poesia bucólica). Aos olhos de um romano comum, as representações cristãs do Bom Pastor não se distinguiam das outras. Num tempo em que os cristãos eram perseguidos, o Bom Pastor era uma forma de representar o Senhor Jesus sem dar muito nas vistas.
J.P.F.
