Papa assinalou 50.º aniversário do Tratado de Eliseu, assinado entre França e Alemanha e considerado o «motor» da unificação do Velho Continente.
O secretário de Estado do Vaticano enviou uma mensagem em nome de Bento XVI aos participantes de uma conferência dedicada ao 50.º aniversário do Tratado de Eliseu, que colocou fim à rivalidade histórica entre França e Alemanha.
O documento, assinado pelo cardeal Tarcísio Bertone e publicado pela sala de imprensa da Santa Sé, realça que “cinquenta anos depois, as razões que levaram à assinatura do tratado devem ser constantemente revitalizadas e renovadas a fim de que o que foi alcançado não seja prejudicado ou abandonado, em favor de novos desafios e interesses particulares”.
Expressa ainda a importância que o Papa atribui aos “valores” consagrados no acordo franco-alemão, selado no Palácio do Eliseu em Paris, no dia 22 de janeiro de 1963, pelo presidente gaulês Charles de Gaulle e pelo chanceler federal alemão Konrad Adenauer.
“Ficou particularmente evidente como a lei moral natural, os valores e direitos humanos moldados pelo Evangelho são a base de uma política que realmente está a serviço da justiça e da paz, bem como do progresso de toda a família humana”, salienta o texto. Apesar dos “muitos progressos” que têm sido feitos desde então, na luta por uma relação salutar entre as nações europeias, “não se pode baixar a guarda”.
“A chama da esperança deve ser alimentada sem interrupção, porque a paz é uma tarefa que permanece e deve ser cumprida sempre”, conclui a missiva.
A mensagem de Bento XVI foi lida no dia 7 de fevereiro aos participantes da conferência “Cinquenta anos de amizade franco-alemã a serviço da Europa: a União Europeia, um modelo para outras reconciliações?”, promovida pela Universidade Pontifícia Gregoriana, em Roma.
O Tratado do Eliseu é considerado o “motor” de um conjunto de decisões políticas e sociais que deram lugar à unificação da Europa, no período pós-Segunda Guerra Mundial, mas hoje está mais centrado na busca de soluções relacionadas com a crise económica e social na zona euro, ponto onde as opiniões têm sido mais divergentes.
Desde 2001 que se têm também vindo a realizar encontros informais entre os chefes de governo e de Estado dos dois países – chamados de “Encontros de Blaesheim”, em memória ao local da primeira cúpula.
