Pe Manuel João sucede a Pe João Gonçalves

Pe João Gonçalves esteve 37 anos na Sé, 29 como pároco. O novo prior, padre Manuel João, manifestou o desejo de “fazer chegar Jesus Cristo também aos que cá não estão”.

Há sete anos na Paróquia da Glória, o Pe Manuel João Simões de Araújo é, desde domingo, pároco da Sé. Na tomada de posse, numa celebração presidida por D. António Marcelino, com a Sé repleta de fiéis, o novo pároco mostrou-se disponível “para fazer chegar Jesus Cristo aos que estão cá dentro e aos outros, que cá não estão mas a quem temos de chegar”.

Pe Manuel João manifestou vontade de viver e trabalhar em equipa com os padres João Paulo Soares Henriques e Francisco José Oliveira Martins, que tomaram posse como vigários paroquiais, e pediu a colaboração dos paroquianos, ao recordar que “nem todos servem para tudo, mas todos servem para alguma coisa”.

Momento de alto significado, para além da leitura dos decretos episcopais de nomeação e da proclamação individual do Credo pelo novo pároco, foi a transmissão simbólica das chaves da Sé e do sacrário do Pe João Gonçalves ao Pe Manuel João. Após esse gesto, abraçaram-se com afecto, irrompendo na assembleia uma demorada salva de palmas.

Pe João Gonçalves

vai dedidar-se aos trabalhos

que já tinha “mas não cumpria”

Na palavra que dirigiu à assem-bleia, Pe João Gonçalves lembrou que estava na paróquia da Glória desde 1969, ou seja, desde a sua ordenação, e agradeceu a paciência dos paroquianos. Com humor, o pároco da Sé desde 1977 afirmou que nos últimos dias parou por uns momentos para fazer um balanço, mas desistiu devido a ter encontrado demasiadas falhas. “O muito que há para fazer deixo ao Pe Manuel João”, disse, para acrescentar: “Não me despeço. Como sabem, vou viver para o Seminário. Apenas um muro nos separa e esse só me dispensa de pagar impostos à paróquia”.

Quanto ao trabalho pastoral a que vai dedicar-se, Pe João Gonçalves afirmou: “Eu já tinha esses cargos… só que não os cumpria”. E prometeu “desinstalar algumas cons-ciências” em favor dos mais necessitados. À responsabilidade do ex-pároco da Sé estão várias coordenações: em primeiro lugar, a nível diocesano, a pastoral sócio-caritativa (Cáritas, Misericórdias, IPSS, grupos vicentinos…) e a pastoral da saúde; a nível nacional, a pastoral das prisões. Além disso, conforme referiu o Bispo da Diocese, continuará à frente das Florinhas do Vouga e será o mestre de cerimónias da Sé de Aveiro, nas grandes celebrações.

Num gesto de reconhecimento, a paróquia ofereceu ao pároco de quase três décadas a publicação do segundo volume de “Diálogo”. O livro de cinco centenas de páginas recolhe as notas de reflexão que todas as semanas o prior da Sé escreveu na folha distribuída no final das missas. Um primeiro volume havia sido publicado a quando das bodas de prata sacerdotais.

Na Acção de Graças, em nome dos cristãos da Glória, uma jovem agradeceu o zelo do pároco cessante, saudou o novo pároco e pediu a “bênção de Nª Srª da Glória e de Sta Joana” para a nova equipa.

No final da celebração, no adro da Sé, a comunidade cumprimentou a nova equipa sacerdotal.

Equipa sacerdotal da Glória

A nova equipa sacerdotal da paróquia da Glória é liderada pelo Pe Manuel João Simões de Araújo, 46 anos, ordenado padre no dia 8 de Fevereiro de 1987 (desde há sete anos era vigário paroquial), e constituída por João Paulo Soares Henriques, 25 anos, ordenado no dia 9 de Julho deste ano, e Francisco José Oliveira Martins, 34 anos, ordenado no dia 8 de Dezembro de 1997.

Colaboram ainda na paróquia os diáconos permanentes João Afonso do Casal e Daniel Rodrigues.

D. António Marcelino na tomada de posse

“Acto normal” mas com “sentido especial”

D. António Marcelino presidiu à transição, que considerou ser um “acto normal na vida das paróquias”, mas, neste caso, com “especial sentido” por se tratar da Sé, “uma paróquia com especiais responsabilidades na vida da diocese”. O Bispo de Aveiro agradeceu ao Pe João Gonçalves e sublinhou que ele “não entra na reforma”, referindo as suas responsabilidades.

À nova equipa, afirmou que entregava “com confiança uma paróquia que não é fácil” e recordou, certamente à equipa sacerdotal e aos paroquianos da Glória, que “as paróquias não são dos padres nem a diocese é do Bispo”. “Os padres gastam demasiado tempo em coisas que os leigos podem e devem fazer”, afirmou. Numa alusão ao evangelho do dia, D. António Marcelino referiu que “impor as mãos e abençoar é o que os padres podem e devem fazer, mas precisam de colaboradores que até eles conduzam as pessoas”. “É na união dos esforços que pode chegar a graça aos que mais precisam”, afirmou.