
A GARÇA E A SERPENTE
Francisco Costa
Paulus Editora
296 páginas
15,90 euros
“Sou romancista, sou católico; é aí que está o conflito; acredito que seja feliz um romancista por se dizer católico, mas estou também seguro que é muito perigoso para um católico ser romancista”, escreveu François Mauriac. Francisco Costa, autor de “A Garça e a Serpente”, pode não ter sentido os mesmos dilemas do romancista francês, mas é comparado por Guilherme d’Oliveira Martins, no Prefácio, a Mauriac e a Georges Bernanos, “autores com posições fundamentais semelhantes à sua”. Francisco Costa, diz Oliveira Martins, “conhece os perigos de uma opção moralista ou edificante, pouco condizente com a exigência crítica do romance moderno” e tanto estão errados os que classificam a sua obra como “pouco católica”, por abordar a infidelidade conjugal, neste caso, como os que dizem que é “demasiado católica”, por abordar a questão religiosa. Seja.
Publicado em 1943 e passado ao cinema em 1952, “A Garça e a Serpente” alcançou assinalável êxito e “merece ser lido atentamente” (do Prefácio). Em resumo, sem estragar uma eventual leitura, Manuel da Cunha Silva, bancário melancólico, cético e descrente, sente-se atraído por Albertina Miranda, “insinuante serpente”, e por Maria Ana Albalonga, “doce garça”.
Francisco Costa (1900-1988) nasceu, casou, viveu, trabalhou e morreu em Sintra. Foi muitos anos contabilista na Adega Regional de Colares e, em 1939, transitou para a Câmara Municipal de Sintra, onde fundou a Biblioteca e o Arquivo Municipal, no Palácio Valenças.
Como escritor, começou como poeta, tendo colaborado na revista “Athena”, de Fernando Pessoa. Na década de 1940, publicou a trilogia “A Garça e a Serpente” (1943), “Primavera Cinzenta” (1944) e “Revolta de Sangue” (1946) e ainda “Cárcere Invisível” (1949), que é considerado o seu melhor romance e que também será republicado pela Paulus. Na década seguinte, publicou uma segunda trilogia, a que deu o título geral de “Em Busca do Amor Perdido”: “Acorde Imperfeito” (1954), “Noturno Agitado” (1955) e “Cântico em Tom Maior” (1955). Em 1964, publica o romance “Escândalo na Vila” e em 1973 “Promontório Agreste”.
“A Garça e a Serpente” faz parte da coleção “Clássicos da Literatura Espiritual”, da Editora Paulus, que já publicou os títulos “Fátima; graças, segredos e mistérios”, de Antero Figueiredo; “Francisco de Assis, renovador da humanidade”, de Guedes Amorim; e “Vida de Santo António de Lisboa”, de Aloísio Tomás Gonçalves.
