Pedagogia mariana. Os primeiros sábados

Poço de Jacob – 90 A Mensagem de Fátima ficaria incompleta sem a devoção dos primeiros sábados. Sabemos que Jesus pediu a Margarida Maria Alacoque as nove primeiras sextas-feiras para reparar o seu Coração desprezado pelos homens. A Alexandrina de Balazar, Ele pediu as seis primeiras quintas-feiras para reparar o seu Coração Eucarístico. Em Fátima, no dia 13 de Julho de 1917, Maria falou da Comunhão reparadora nos primeiros sábados para desagravar o seu Coração Imaculado. Mas foi, em Pontevedra, no quarto de Lúcia, no dia 10 de Dezembro de 1925, que Nossa Senhora pediu a devoção dos cinco primeiros sábados.

O número cinco, como o quinto dia da criação, dia imperfeito, quando a criação ainda não estava concluída, remete-nos para os cinco sentidos representados no pentagrama, que, como a estrela de cinco pontas, está associado à obra do demónio.

Cinco são os mistérios de um terço. O que ela pediu não foi só uma devoção por causa das cinco ofensas dirigidas ao seu Coração, de que falaremos em breve. Ela deu-nos um método seguro e eficaz de auto-educação que, lentamente, permite Deus trabalhar a alma para a identificar com Ele. Implica um esforço de conhecimento próprio e de enfrentamento com a própria condição de pecador. Vejamos: Maria pediu que, nos cinco primeiros sábados, de cinco meses seguidos, nos confessássemos (pode ser 15 dias antes ou 15 dias depois, desde que estejamos em estado de graça no primeiro sábado). Confissão, reconciliação, é o sacramento que só acontece quando estamos verdadeiramente arrependidos dos pecados reconhecidos como tal e com desejo de emenda de vida. Cada confissão sacramental implica, ao nível da graça e da psicologia, uma forte interpelação a mudarmos de vida para sermos santos. Evitar o pecado venial e o mortal. Não querer ofender a Deus Nosso Senhor, já tão ofendido, como Ela pediu no dia 13 de Outubro.

Um segundo ponto é comungar dentro ou fora da Missa. É receber o próprio Jesus Cristo que nos dá a verdadeira vida. Comungar não é só receber uma hóstia branca e consagrada. É aspirar a ter os mesmos sentimentos de Jesus, de aversão ao mal e de adesão ao Bem. Viver de amor. Viver de serviço. Viver para Deus. Uma vida para Deus como foi a dele enquanto homem, como diz S. Paulo, e como foi a vida de Maria. Comungar Jesus é comungar o seu ideal de fidelidade ao Pai. É Maria quem nos molda nessa aventura. Depois de nos considerarmos pecadores e recebermos o perdão de Deus, queremos mudar de vida, comungando a vida com o Jesus que comungamos. Não estaremos nunca sós neste caminho. Para tal, Ela pede-nos o terceiro ponto: rezar o terço. Mais do que uma oração, é viver os mistérios da vida de Cristo e de Maria nos momentos que eles nos apontam da vida dele e da nossa: Alegria, dor, luta, caminho, morte, eternidade… Rezar o terço é invocar Maria para Ela nos fazer sentar no seu regaço e nos contar coisas de Jesus. Ensina-nos, na sua escola de educadora e Mãe, a identificação com Jesus. Somos filhos de Deus, no Filho de Deus. Maria é nossa mãe, mestra, modelo e intercessora.

Mas, para não nos perdermos na quantidade de mistérios da vida de Jesus, Ela pede-nos o último ponto: fazer companhia a Nossa Senhora durante 15 minutos, meditando num mistério do Rosário. Costumo escolher o mistério que está mais presente naquele mês ou tempo litúrgico. Meditar nesse mistério é tentar aprofundar uma coisa de cada vez da vida de Jesus, tirando um ideal que nos estimule a viver esse mês, até ao próximo primeiro sábado. É tirar desse dia de reflexão e de oração e até de retiro mensal um programa de vida.

Se apanharmos a prática e cada primeiro sábado de nossa vida for assim celebrado, não interessa se cinco ou se cem, tenho a certeza de que colocamos a nossa vida nas mãos de Maria e ela irá moldando nosso ser, como deixou que Deus a moldasse a ela. Pouco a pouco, a mudança vai acontecendo, o nosso mês terá um sentido. Claro que tudo deve ser vivido em espírito de reparação. Reparar os nossos pecados e os do mundo. Uma verdadeira consciência de corresponsabilidade e de missão salvífica. Um estar solidário com os outros e comendo da mesma mesa. E um sentir que a aventura do existir nos dá como tarefa a obra da nossa santificação e salvação do mundo, por Maria, para Cristo e para o Pai.

P.e Vitor Espadilha