Perseguição feroz ao clero do concelho de Vagos

Ainda os 100 anos da República No princípio da I República (1910 e seguintes), durante aqueles tempos conturbados, foi nomeado para Vagos um administrador que não queria nada com a Igreja. Esquecendo-se das suas obrigações civis, enveredou pelo caminho de pretender mandar no clero existente. Quem não obedecesse às suas ordens seria severamente punido.

Proibiu os padres de rezarem Missa com as portas dos templos abertas e com mais de 20 pessoas. Os atingidos foram o P.e Rocha, o P.e Manuel de Oliveira Júnior (meu tio-avô e mais tarde presidente da Câmara de Vagos), o P.e Basílio Jorge Ribeiro e o P.e Casimiro Sarabando. Os quatro sacerdotes estão retratados na fotografia, mas só me é possível identificar o o P.e Manuel de Oliveira Júnior, que é o que está sentado do lado esquerdo.

Chegou a ser nomeado pelo Governo da altura um padre para Vagos, mas o povo acabou por saber que era um padre apóstata, separado da Igreja, sem estar mandatado pelo Bispo, tomando a residência paroquial de assalto. O ambiente era de tal ordem anticlerical que o P.e Rocha tomou a iniciativa de levar as crianças que estavam aptas a fazer a Primeira Comunhão à Capela da Ermida, na vizinha freguesia de Ílhavo, onde o ambiente era mais tranquilo.

Tendo em consideração que os padres acima referidos eram homens de “antes quebrar que torcer”, recusaram-se a cumprir as ordens do tal administrador. O meu padrinho, P.e Oliveira, chegou a dizer-lhe, conforme me contou: “De pé diante dos homens, de joelhos, só diante de Deus”.

Enraivecido e indignado, o administrador mandou prender os quatro sacerdotes e desterrou-os para Ovar, ficando o povo sem qualquer outro culto durante os três meses de desterro. Entretanto o administrador foi transferido e os sacerdotes atingidos puderam regressar ao seio das suas famílias e ao convívio dos seus paroquianos.

Como se vê, nem tudo foram rosas em Vagos nesta mudança política, embora seja do conhecimento geral que situações similares ocorreram noutras paragens.

No entanto, as cerimónias em Vagos, no dia 5 de Outubro de 2010, tiveram muita dignidade. Apesar de tudo, parabéns à República.

Basílio de Oliveira