Pio XII, profeta da paz

João Gonçalves Gaspar

Pio XII. Defensor do Homem

Diocese de Aveiro

276 páginas

Nos últimos tempos, têm surgido documentos e testemunhos pessoais, na grande maioria de judeus, que atestam os esforços de Pio XII para salvar o maior número de judeus da perseguição nazi durante a II Guerra Mundial. No entanto, na comunicação social e em alguma cultura geral prevalecem os dados lançados, hoje sabe-se que com a ajuda do extinto KGB, pela peça de teatro “O Vigário” (1963), de Rolf Hochhuth, e pelo livro “O Papa de Hitler” (1999), de John Cornwell.

Este livro de Mons. João Gaspar é mais um contributo para a verdade. O ditado diz que a verdade vem sempre ao de cima. Mas tal não acontece se não se remover certos pesos. Um contributo inesperado – como nota D. António Francisco, no prefácio desta obra: “Na vasta bibliografia, com que nos tem brindado, nada faria prever que orientasse o seu trabalho nesta área”. E prossegue o Bispo de Aveiro: “Imagino quanto o têm incomodado algumas referências menos sérias, vários juízos menos correctos e tantas acusações falseadas acerca do Papa Pio XII. Sinto que se impôs a si mesmo, como imperativo de consciência, o dever de repor a justeza da informação, alicerçando-se em documentação sólida e laboriosamente procurada, em recordações pessoais que guarda com desvelo sagrado e em testemunhos que dão ao texto um gosto de leitura e um manancial único de conhecimentos que de outra forma não teríamos”.

Apesar de afirmar o carácter inesperado da obra, D. António Francisco observa depois que por meio de D. João Evangelista de Lima Vidal, o bispo da restauração da Diocese, Pio XII está perto do autor e de Aveiro. João Evangelista teve como companheiro de estudos em Roma Eugénio Pacelli, futuro Pio XII. Por isso, escreve o actual Bispo de Aveiro: “O primeiro capítulo constitui para muitos de nós, seus leitores aveirenses, um momento de particular prazer e de grande alegria, quando nos é patenteada a proximidade do autor com as referências da nossa vida como Cidade e Diocese a Pio XII, ao recordar o primeiro Bispo da Diocese restaurada”.

A obra está estruturada em nove capítulos, todos com diversas imagens de pequeno formato. No primeiro, como se referiu, está em foco a relação entre D. João Evangelista e Eugénio Pacelli. No segundo, insiste-se nas memórias aveirenses de Pio XII, incluindo a recepção, em Roma, aos atletas de remo, onde estavam os Galitos, que venceram uma prova transalpina. No terceiro, fala-se Pio XII antes de Pio XII, isto é, de Pacelli quando o papa era Bento XV e a seguir Pio XI. Seguem-se depois capítulos em que o Papa surge como “Lutador pela Paz”, “Salvador de Judeus” e “Salvador de Roma”. No capítulo sétimo, apresenta-se “a gratidão de judeus… e não só”. No seguinte, apontam-se referências dos dois últimos papas ao Holocausto e a Pio XII. No último capítulo, “em jeito de conclusão”, Mons. João Gaspar afirma Pio XII como “Profeta da Paz”.

Pela relação com Aveiro, para admirar um grande homem do século XX, para conhecer mais a história da Igreja e do mundo, vale bem a pena mergulhar neste livro.

J.P.F.