“Plantas da Primeira Globalização” no Museu de Aveiro

Na nova galeria de exposições temporárias do Museu de Aveiro está patente ao público, até ao dia 3 de Março, a exposição intitulada “As plantas da primeira globalização”, desenvolvida a partir da mostra homónima itinerante criada pelo Instituto de Investigação Científica Tropical e enriquecida com espécimes emprestados pelo Museu Botânico de Beja.

Sob a coordenação do Museu de Aveiro, o Herbário do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro e o Museu Botânico de Beja colaboraram nesta exposição quer através da escolha de peças, como da produção da informação, como, no caso do herbário aveirense, na montagem e elaboração do programa de serviços educativos.

Nesta exposição o visitante pode encontrar plantas originárias dos vários continentes, com destaque para África, América e Ásia, tanto plantas que hoje estão presentes no dia-a-dia dos portugueses através dos seus frutos ou produtos delas derivados, como acontece com o milho, o tomate, a batata, a batata-doce, o feijão, a malagueta, os citrinos, entre outros, que actualmente se produzem naturalmente em Portugal.

A par desses, há outros frutos e produtos que ainda agora continuam a ser “exóticos”, como o chá, o café, o cacau, as frutas ditas tropicais (manga, coco, ananás, entre outras), as especiarias (pimenta, canela e outras), plantas que muito dificilmente são produzidas de forma natural no nosso país, incluindo a papoila-do-ópio e o marfim-natural.

A originalidade da exposição está na conciliação de diversos vectores expositivos que se complementam na informação que prestam ao visitante. Assim, muitas das plantas patentes na mostra estão presentes através da própria planta (em vaso), dos seus frutos ou produtos mais conhecidos do público, de fotografia e da descrição das suas principais características e do seu percurso entre a origem e “descoberta” pelos europeus até à sua aceitação pelo consumidor português.

No Ano Internacional da Biodiversidade, que se assinala em 2010, esta exposição ajuda a conhecer um pouco mais o diversificado mundo da botânica, seguindo os passos dos navegadores portugueses dos séculos XV e XVI que proporcionaram aos estudiosos de então a descoberta de uma imensa variedade de plantas até então desconhecidas na Europa, mas que eram usadas pelos habitantes dessas terras longínquas de África, América, Ásia e Oceânia.