Poder político obstrui liberdade religiosa

Denúncia de Bento XVI na recitação do Angelus “A liberdade religiosa está longe de ser assegurada efectivamente em todo o lado”, denunciou no domingo Bento XVI na Praça de São Pedro em Roma. No discurso que antecedeu a recitação dominical do Angelus e recordando os 40 anos do encerramento do Concílio Vaticano II, o Papa salientou que esta liberdade religiosa, à qual o Concílio dedicou uma importante reflexão, é, “em alguns casos, negada por motivos religiosos ou ideológicos; outras vezes, ainda que seja reconhecida no papel, é obstruída na prática pelo poder político ou, de forma mais abrangente, pelo predomínio cultural do agnosticismo e do relativismo”, afirmou.

O documento “Dignitatis humanae”, aprovado pelo padres conciliares, afirma o direito das pessoas e das comunidades poderem procurar a verdade e professarem livremente a sua fé, uma liberdade que “deve ser garantida tanto aos indivíduos como às comunidades, no respeito das legítimas exigências da ordem pública”, sublinhou Bento XVI.

O tema do Advento e deste tempo que prepara a vinda Cristo serviu de base à reflexão do Papa aos milhares de fiéis que se encontravam na Praça de São Pedro, a quem o Sumo Pontífice disse que esta vinda de Cristo “põe em primeiro plano o movimento de Deus para a humanidade, ao que cada um é chamado a responder com abertura, espera, busca e adesão. E assim – continuou – como Deus é soberanamente livre no revelar-se e entregar-se, pois só o move o amor, assim também a pessoa humana é livre de dar o seu consenso”, pois “Deus – disse o Papa – espera uma resposta de amor”.

Bento XVI, na saudação em língua francesa e já após a recitação do Angelus, recordou que, na próxi-ma sexta feira, dia 9 de Dezembro, se celebram os 30 anos da Declaração dos direitos das pessoas com deficiência, proclamada pela ONU, convidando cada um “a trabalhar sempre a favor da inserção das pessoas com deficiência, na sociedade, no mundo do trabalho, mas também na comunidade cristã”. “Qualquer vida humana é digna de respeito – disse o Papa – e deve ser protegida desde a sua concepção até ao seu fim natural”, frisou. A todos aqueles que se dedicam a esta tarefa o Papa “assegura o seu apoio e oração”.

~Vaticano justifica a ausência de Daniela Mercury no Concerto de Natal

O Vaticano explicou na sexta-feira porque decidiu cancelar a participação da cantora Daniela Mercury do seu Concerto de Natal, que se realizou no sábado à noite, alegando que a cantora terá ameaçado defender, durante a apresentação, o uso de preservativos como forma de combate à SIDA. “Ela foi excluída porque tinha anunciado que, durante o concerto, promoveria abertamente o uso de preservativos para combater a chaga da SIDA”, disse o padre jesuíta Giuseppe Bellucci na conferência de imprensa de apresentação do concerto. Entretanto, Daniela Mercury negou tais alegações.

Recorde-se que em 2003, a cantora norte-americana Lauryn Hill provocou um incidente desagradável, chocando as autoridades do Vaticano, ao pedir-lhes que se arrependessem, aludindo ao escândalo de abuso sexual de menores praticado por sacerdotes nos EUA.

Entre outros artistas, o Concerto de Natal deste ano contou com a cantora sul-africana Miriam Makeba e a irlandesa Dolores O’Riordan. Segundo a imprensa, alguns artistas lamentaram que Bento XVI não tivesse aparecido no espectáculo, ao contrário do que fazia João Paulo II.