O núcleo de Aveiro da associação ambientalista Quercus denunciou “atentados ambientais” nas margens do Rio Vouga causados pelas intervenções simultâneas efectuadas pela Polis Litoral Ria de Aveiro e pela Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Centro.
Em declarações à Rádio Terra Nova, o ambientalista João Pedrosa denunciou “a destruição maciça da vegetação, de galerias ripícolas ao longo dos cursos de água”, o que “abre a porta à erosão”, para além de ser “mau em termos de fauna e flora”, especialmente por ocorrer numa zona de protecção especial.
Em resposta, a Polis Litoral da Ria de Aveiro reconheceu que intervenções desse género provocam sempre “desequilíbrios nos ecossistemas”, mas lembrou que o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) “deu parecer positivo às intervenções”.
A ARH do Centro fez uma intervenção de limpeza nos rios Vouga e Águeda. No rio Vouga, a intervenção realizou-se desde a ponte da EN 109 até à foz do Rio Águeda, numa extensão de 10,1 quilómetros. No Rio Águeda, a intervenção ocorreu nos cinco quilómetros para montante da sua foz. Essas intervenções visam “atenuar os riscos de cheia, em períodos de maior precipitação, através do aumento da capacidade de escoamento dos rios, bem como prevenir o risco de rotura dos taludes e das margens”.
A intervenção da Polis Litoral Ria de Aveiro, que visou a requalificação e valorização do Parque do Areal (Angeja) do Parque da Boca do Carreiro (Frossos), do Parque dos Plátanos e do Poço do Barreiro (São João do Loure), incluiu trabalhos de limpeza e desmatação das margens e percursos, requalificação do coberto vegetal e beneficiação estrutural dos percursos entre parques.
Depois de dizer que a vegetação existente nos taludes e na plataforma marginal desbastada e podada, a Polis da Ria garantiu que houve o cuidado de manter “o enraizamento das espécies arbóreas ligeiras e de grande porte nos taludes, afim de não os fragilizar”.
Plano de gestão do Vouga
em consulta pública
Está a decorrer, até 26 de Abril de 2012, o período de consulta pública do Plano de Gestão das Bacias Hidrográficas dos Rios Vouga, Mondego e Lis, cujos documentos podem ser consultados nas sedes do Instituto da Água (em Lisboa) e da Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Centro (em Coimbra e na respectiva página electrónica).
“Queremos que as pessoas conheçam o conteúdo do plano, compreendam o que vêem nele e apresentem contributos no âmbito da discussão pública para que possa reflectir as expectativas e a importância que as pessoas esperam”, afirmou a presidente da ARH do Centro, Teresa Fidelis, na sessão de apresentação do plano, realizada na Universidade de Aveiro.
Na sessão, foi revelado que, na bacia hidrográfica do Rio Vouga, só os rios Cértima e Águeda apresentam águas de má qualidade. Nos restantes rios, a qualidade da água varia entre o medíocre e o excelente, com predominância para a boa qualidade.
