Política(s) à moda de Vagos
Eduardo Jaques
Edição de autor
346 páginas
Eduardo Jaques (Eixo, 1945) tem uma longa história de colaboração na imprensa regional, incluindo o “Correio do Vouga”, e mesmo nacional, em jornais como “O Século”, o “Comércio do Porto” e o “Jornal de Notícias”. Em anos mais recentes, o seu trabalho destaca-se no “Diário de Aveiro” e nos vaguenses “Ponto” e “Terras de Vagos”.
Ninguém como ele acompanhou tão bem as movimentações do poder autárquico no regime democrático, pelo que este volume de mais de 300 páginas de artigos e entrevistas é imprescindível para a história dos últimos decénios do concelho de Vagos. Por aqui passam todos os detentores do poder autárquico, por vezes ainda apenas como candidatos, pelo que é sempre muito curioso, por exemplo, ver o que um político prometeu e a seguir concretizou – ou não.
Apesar do título e do que acima ficou escrito, nem só de política partidária vive este livro. Na realidade, a política está presente em toda a atividade pública, mesmo que se fuja da ideologia partidária. Por isso, podemos encontrar neste volume uma entrevista ao falecido P.e Teixeira das Neves, quando era pároco de Vagos (1986), outra a D. António Francisco, nos primeiros anos na Diocese de Aveiro (2008), ou uma peça que dá notícia de uma assembleia com D. António Marcelino, no Colégio de Calvão, pela liberdade de ensino (2001) – para referir apenas alguns exemplos.
Na “Nota Prévia” o autor revela a intenção com que elaborou este volume e o modo como desempenhou – e desempenha, podemos presumir – o seu jornalismo: “Da cultura ao ensino, das instituições e organismos sociais à política camarária ou partidária, procurei acompanhar e revisitar, talvez com algum idílio bairrista, o pulsar e vivência do concelho que me acolheu para viver, nas diferentes atividades”. Acrescenta e está patente que foi um “trabalho fascinante e persistente”, ainda que marcado por “fugazes clivagens e incompatibilidades”, como é próprio de duas atividades públicas, a política e o jornalismo.
J.P.F.
