Políticas de Emprego e outras de natureza social

Questões Sociais As políticas sociais, no seu todo, têm sido objecto de alta prioridade ao longo das últimas décadas. Têm beneficiado de consensos relativamente alargados que, agora, talvez estejam a diminuir; na verdade, existe o risco de eclosão de extremismos os quais, a longo prazo, podem afectar seriamente a protecção social.

As políticas de emprego e de segurança social têm evoluído favoravelmente e melhoraram o quadro de direitos e as prestações sociais. No entanto, apesar de orientadas pelo objectivo da inclusão social, não conseguiram evitar, nelas próprias, as propensões para a exclusão.

Procuraram promover a partilha de responsabilidades, mas não souberam estimar quem as assumiu efectivamente.

Orientaram-se pelo princípio da igualdade, respeitando as diferenças, mas não evitaram a permanência nem o aumento das desigualdades.

Quanto à inclusão-exclusão sociais, algumas situações das mais graves continuam a ser ignoradas ou, tão só, parcialmente conhecidas. A título de exemplo, podem referir-se as crianças maltratadas, as situações de grande dependência (por motivos de doença grave, deficiência profunda, acidente incapacitante, idade muito avançada…), a sub-alimentação (fome) e as marginalizações nos próprios atendimentos sociais.

Relativamente à assunção de responsabilidades, verifica-se que a luta pela subsistência, levando à criação de actividade económica e à gestão exemplar de parcos orçamentos familiares, não é reconhecida nem se lhe facilita a vida. Em contra-partida, acede a subsídios vários e apoios para a criação de empregos e para a formação profissional uma percentagem relativamente baixa de pessoas, que só se distinguem das restantes pelo respectivo acesso aos centros de decisão.

As políticas sociais também não têm aproveitado o enorme potencial de responsabilidade assumida pelo voluntariado, que existe em todo o país e que não se reduz aos dirigentes de instituições nem aos bombeiros voluntários nem a grupos afins. As políticas de acção social continuarão desequilibradas, enquanto não assumirem o pilar do voluntariado em pé de igualdade com outros dois: as instituições particulares; e os organismos públicos e os centros de decisão política.

No que respeita ao princípio da igualdade, acontece que as políticas sociais ainda não conseguiram fazer frente aos dinamismos desigualitários, que marcam fortemente a economia actual e toda a sociedade. Particularmente, acham-se impreparadas face à idolatria da competitividade.

É evidente que não bastam as políticas sociais para se vencerem os dinamismos da desigualdade; no entanto, compete-lhes a garantia de condições de existência dignificantes a todos os cidadãos, com base na co-responsabilidade de cada um e do todo nacional.