LOC defende que os empresários devem conhecer a Doutrina Social da Igreja e deixa críticas ao governo, que “corta direitos” mas não combate “fraude fiscal”.
A Liga Operária Católica considera que os dirigentes partidários e gestores que se dizem cristãos deveriam pagar ordenados justos, de acordo com as orientações da Bíblia e dos documentos da Igreja sobre o trabalho.
“Num país e numa Europa com profundas raízes cristãs, com tantos políticos, economistas e empresários a assumir essa condição, deveriam ser mais consideradas as propostas e os desafios que vêm na Doutrina Social da Igreja e nos Evangelhos”, refere uma nota de imprensa.
A Bíblia e os documentos da Igreja recordam que “a qualidade do trabalho e a sua justa remuneração são sinónimos da dignificação de quem o executa e fundamentais para um modelo de desenvolvimento social mais justo e equitativo na partilha das riquezas e mais solidário e fraterno nas relações humanas”, acrescenta o comunicado.
Os contratos sem regulação, horários inconstantes, diminuição de salários e facilitação dos despedimentos fazem com que “o local de trabalho seja visto por muitos como o local do suplício onde impera a insegurança e o medo”, sublinha o texto divulgado após reunião realizada no sábado passado, em Aveiro.
A equipa nacional da Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) critica a atuação do executivo de Pedro Passos Coelho: “Não é tolerável que num Estado democrático, promotor da liberdade e da equidade social, os seus governantes deixem crescer vergonhosamente as desigualdades sociais e financeiras”.
O organismo, que em 2011 assinalou 75 anos, reprova a estratégia que passa por “cortar direitos, salários e apoios sociais” sem apresentar medidas de combate à “fraude fiscal” ou cortar “nas despesas desnecessárias”.
Por outro lado, salienta a nota, há “milhares de homens e mulheres que trabalharam uma vida inteira” a receber “reformas tão baixas que fazem deles tão pobres que os obriga a mendigar nas instituições de solidariedade a sua sobrevivência”.
