Uma Pedrada por Semana O Primeiro-Ministro marcou um encontro, na Universidade Aveiro, para anunciar ao país, apoios do Estado a jovens investigadores. Noutras circunstâncias, a escolha teria sido uma honra para quem aqui vive.
Embora advertido, a tempo, o seu gabinete, de que o dia 12 de Maio não era propício, por ser o Dia festivo da Padroeira, Santa Joana Princesa, que é, também, o Dia da Cidade, portanto, feriado municipal. Para mais, a Universidade, obviamente, estaria encerrada, e as autoridades que teriam, por dever, acolhê-lo estariam ocupadas com actividades festivas do Dia. A verdade é que o Primeiro-Ministro veio na mesma, com o aparato do costume, acompanhado do Ministro do Ensino Superior e da Investigação Científica.
Não sei se o desprezo foi pela Padroeira, se foi por Aveiro. Ou nem terá sido desprezo, mas foi, pelo menos, pouco respeito por Aveiro e menos atenção para com as suas gentes, a começar pelas suas autoridades e seus munícipes. Não creio que tenha sido assim porque a Universidade não tinha cá os alunos… Tudo é possível, mas é estranho, porque eles seriam os principais interessados.
O dever dos políticos é, a meu ver, unir e respeitar, nunca ser ocasião de divisão ou desrespeito. Não era um dia qualquer. Em dia feriado e festivo. À mesma hora da solene celebração a que presidia o Bispo da Diocese e em que participam, normalmente, os responsáveis autárquicos, o chefe do Governo parece ter vindo a Aveiro mostrar que pouco lhe interessava a cidade e o que aqui se passava, afirmando, mais uma vez, que a sua vontade soberana e só as suas decisões contam.
Vamos lá a admitir que ninguém do seu gabinete o advertiu do que se passava em Aveiro nesse dia. Então, as coisas redobram de gravidade e de preocupação. Um governante mal rodeado é sempre um governante sujeito a ser enganado.
Não gostei. Fiquei triste. Assim não.
