“Porque viajas tanto?”

Aura Miguel, da Rádio Renascença, escreve sobre o Papa Porque viajas tanto?” é um livro da jornalista da Rádio Renascença (RR), Aura Miguel, que tem acompanhado o Papa João Paulo II nas suas viagens apostólicas pelo mundo. Mas é também a pergunta que uma criança um dia fez ao Santo Padre, talvez admirada pelas inúmeras saídas do Vaticano que o Sumo Pontífice faz para ir ao encontro dos homens de todas as raças, culturas e ideologias políticas ou ideias religiosas.

A resposta do Papa foi muito simples: “Porque o mundo não está todo aqui! Não leste o que disse Jesus? ‘Ide e evangelizai o mundo inteiro’. Por isso, eu viajo pelo mundo inteiro!”

Aura Miguel talvez seja das profissionais de comunicação social que mais vezes acompanharam João Paulo II. Em 16 anos, fez a cobertura jornalística de meia centena de viagens, sendo a única portuguesa acreditada na Sala de Imprensa da Santa Sé, tendo já publicado “O Segredo que Conduz o Papa – A experiência de Fátima no pontificado de João Paulo II”, com mais de 36 mil exemplares vendidos em Portugal e com traduções em francês, alemão, italiano, espanhol, polaco e russo.

No prefácio da mais recente obra de Aura Miguel, diz o cardeal Saraiva Martins, que a prefaciou, que a autora “cresceu na fé e no amor à Igreja. A proximidade com João Paulo II aumentou nela a ternura, a comoção, a adesão simples e entusiástica às verdades da fé. Ao longo de vinte anos de jornalismo – e dezasseis seguindo o Papa – ela olhou sempre com atenção, ouviu com confiança, falou com liberdade. De tudo o que ouviu e viveu guardou minuciosa memória – e contano-lo com uma vivacidade de estilo e um colorido de pormenores que tornam as suas páginas, por assim dizer, radiofónicas. Muitas coisas só ela ouviu, só ela notou: são os pormenores divertidos ou intensos, ou comoventes, que atestam a atenção da repórter a quem nada escapa. […] Mas Aura Miguel não se limita a contar: ela quer compreender, com inteligência e fé, o que vê e escuta”.

Aura Miguel recorda com emoção o seu primeiro encontro com o Papa, sublinha o acolhimento triunfal que milhões de pessoas lhe dispensaram, frisa os seus silêncios que contagiam multidões, salienta a sua reconhecida devoção por Nossa Senhora de Fátima, fala da ternura com que se dirige aos jovens e com que acolhe os pobres. “João Paulo II alarga os braços e, no mesmo abraço de pai, envolve o mineiro, a mulher e a panela”, escreve a jornalista da RR.

Nesta obra, que é um precioso documento a não perder, há histórias e acontecimentos que nos envolvem, de Portugal, de terras de Santa Cruz, da Guiné-Bissau, da Polónia, dos seus encontros com jovens, com políticos, com artistas e sábios, de gente humilde e poderosa, da intimidade, da fé, do compromisso apostólico do Papa que veio de Leste para revolucionar o mundo.

“O meu gosto seria entrar em cada uma das vossas casas, saudar cada homem e cada mulher, acarinhar cada criança em cujos olhos se reflectem a inocência e o amor. Mas isso não é possível! Ficai certos, porém, de que me sinto perto de cada um de vós e a todos vos terei presentes na minha oração, especialmente aqueles que sofrem o luto, a orfandade, a fome e a incerteza do amanhã”, pregou o Papa, um dia, em Angola.