Portugal com nova centralidade

O despontar da Região Centro Os empresários do centro do País querem vincular os futuros deputados desta região a um pacto de desenvolvimento. O objec-tivo é fazer da Região Centro um pólo que faça frente a Lisboa e ao Porto.

A Região Centro encontra-se comprimida entre as regiões do Porto e de Lisboa, respectivamente a norte e a sul, regiões essas que têm grande peso económico e, sobretudo, político, o que já não é tão notório no sector da educação.

Quanto ao primeiro desses factores, o CEC – Conselho Empresarial do Centro está a tentar inverter essa situação, ainda que a Associação Industrial do Porto tenha conseguido uma posição bastante importante com a implantação do Europarque no concelho de Santa Maria da Feira. Também em termos político administrativos, o norte conseguiu uma vitória, com a adesão dos municípios de Espinho, Santa Maria da Feira, São João da Madeira e Arouca à Grande Área Metropolitana do Porto.

Na educação, nomeadamente no ensino superior, a região Centro continua a ser uma referência. À mais antiga universidade portuguesa, a de Coimbra, juntaram-se outras importantes e prestigiadas universidades, como a de Aveiro e a da Beira Interior, bem como diversos outros pólos de ensino superior, tanto universitário como politécnico, com destaque para os de Castelo Branco, Guarda, Leiria e Viseu.

A Região Centro, que está tutelada pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Centro, sediada em Coimbra, é constituída pela totalidade dos distritos de Castelo Branco e de Coimbra, por 93,1% do distrito da Guarda, 70% do distrito de Leiria, 65,9% do distrito de Viseu e 64,7% do distrito de Aveiro.

Do distrito de Aveiro, não fazem parte da Região Centro os concelhos de Arouca, Castelo de Paiva, Espinho, Oliveira de Azeméis, Santa Maria da Feira, São João da Madeira e Vale de Cambra.

No que diz respeito à divisão de diocesana, a região Centro integra a totalidade ou parte das dioceses de Aveiro, Castelo Branco/ Portalegre, Coimbra, Guarda, Lamego, Leiria/ Fátima, Porto e Viseu.

Em termos geográficos, nesta região situa-se o ponto mais alto do continente, a serra da Estrela, com 1991 metros de altitude, e o maior rio português – o Mondego – tem todo o seu percurso, de 220 quilómetros, nesta região, tal como o rio Vouga, com 136 quilómetros, também corre todo na região Centro.

CEC quer vincular deputados à região

Com o objectivo de vincular os futuros deputados eleitos nos círculos eleitorais de Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu à região que os elege, o presidente do CEC – Conselho Empresarial do Cento, António Almeida Henriques, desafiou todos os candidatos a deputado, de todos os partidos políticos, concorrentes às eleições legislativas de 20 de Fevereiro nestes seis círculos eleitorais a subscreverem o “Pacto para a nova centralidade”.

Com este documento, o CEC pretende “clarificar uma estratégia e um compromisso de desenvolvimento para o território” que constitui a região Centro, ao mesmo tempo que visa acabar com o “sistema territorial bicéfalo que, a Sul e a Norte, nas zonas metropolitanas de Lisboa e Porto, exerce uma enorme pressão sobre as estruturas económicas e demográficas” de toda a região Centro.

Para o CEC, a “Região Centro deverá assumir uma nova centralidade na articulação interna e externa do território nacional, corrigindo as actuais linhas de fractura que marcam a organização territorial, económica e demográfica da região”. Para tal, é necessário “um compromisso que sobreviva a ciclos económicos e políticos”.

O documento pretende contribuir para a “a criação de uma estrutura produtiva moderna e bem integrada no mercado, interno e externo, desenvolvendo «clusters» exportadores competitivos, onde o investimento externo à região tem um importante papel a desempenhar”.

Sediado em Coimbra, o Conselho Empresarial do Centro é constituído por trinta e nove associações empresariais dos distritos de Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu, as quais representam mais de quarenta e duas mil empresas instaladas nesses distritos.

TGV privilegia Região Centro

A Região Centro é atra-vessada, tanto na longitudinal como na transversalidade, por algumas das mais importantes estradas portuguesas, com destaque para as auto-estradas A1, os itinerários principais IP2, IP3, IP5, os itinerários complementares IC1, IC2, IC6, IC7, IC8.

Nesta região encontram-se dois grandes portos marítimos – Aveiro e Figueira da Foz, apoiados por diversas estruturas, incluindo de construção e reparação naval. Já no que se refere a aeroportos, nesta região só existem aeródromos civis com capacidade para serem escalados por aviões de pequeno porte, ainda que aqui estejam instaladas bases aéreas militares.

No que se refere à rede ferroviária, a região é atravessada, entre outras, pela Linha do Norte, Linha do Oeste e Linha da Beira Alta. Também o TGV passará com duas linhas pela região Centro, conforme o acordo celebrado entre Portugal e Espanha, plano que foi novamente reiterado pelo Ministro das Obras Públicas, na recente apresentação do projecto do TGV.

O futuro itinerário do TGV entre Lisboa e Porto terá três paragens na região: Leiria, Coimbra e Aveiro. O arranque da construção desta linha deverá ocorrer no final de 2006 ou início de 2007, devendo ficar concluída em 2012. A par desta, e com conclusão para 2015, está a futura linha de TGV Aveiro/Guarda/Salamanca/Madrid.

CEC organiza encontro transfronteiriço

O CEC é uma das entidades organizadoras do encontro transfronteiriço que irá decorrer na cidade da Guarda, de 27 a 30 de Janeiro, no qual participam entidades empresariais da região Centro de Portugal e da comunidade espanhola de Castela e Leão.

Nesse encontro serão realizados os seminários “Centro / Castilla y León – Vantagens da Cooperação” e “Inovação – Motor da Competitividade das Empresas”, e a “Coopera 2005 –Feira da Cooperação”.

O CEC foi também um dos organizadores de um encontro idêntico, realizado na cidade espanhola de Mérida, que reuniu empresários e instituições da região Centro, do Alentejo, e da Extremadura (Espanha).