Questões Sociais A luta pela subsistência é uma vertente fundamental da nossa história económica e social. Através dela, inúmeras pessoas e famílias conseguiram sobreviver, vencendo situações de carência ou evitando cair nelas. Muitas alcançaram níveis de vida razoáveis, e não poucas alcandoraram-se a níveis muito altos de riqueza e de rendimentos. A luta pela subsistência foi travada, fundamentalmente, através do trabalho, por conta própria ou de outrem, em diferentes sectores de atividade. Mas também foi travada pelo estudo, pelo associativismo, pela cooperação…
Ao longo dos séculos, a opinião e os poderes públicos menosprezaram sistematicamente a luta pela subsistência e as potencialidades resultantes das próprias situações de necessidade. A necessidade suscita não raro uma funda consciência dela própria, aliada a um empenho radical para que seja superada. A expressão «fazer das tripas coração» traduz bem a «transfiguração» que o sentimento de necessidade pode suscitar.
As comunidades locais, ligadas ou não às paróquias, muito enriqueceriam a sua ação social se acompanhassem e apoiassem a luta pela subsistência vivida por inúmeras famílias; muitas destas até são das nossas relações mais próximas. O Estado central e as autarquias locais dariam um importante passo em frente se, ao menos, se habituassem a olhar com simpatia para esta luta, que chega a ser heróica. Melhor atuariam ainda se prestassem as ajudas possíveis, a favor da legalização gradual e da viabilização efetiva dos pequenos empreendimentos.
Tenhamos bem presente que a ação social deve tender não só para a satisfação de necessidades básicas mas também para que as pessoas se tornem autónomas, e deixem de precisar de ajuda. Ora, na luta pela subsistência, as pessoas estão empenhadas, precisamente, na procura de autonomia; e essa procura convida-nos a cooperar para que ela se processe com mais rapidez e com melhores resultados.
