O povo saiu à rua, para manifestar o seu descontentamento. Com toda a legitimi-dade, todos o reconhecemos. E com muito civismo, o que muito nos alegra! O Governo fica a saber que, embora não fosse todo o povo, os números exprimem um mal-estar que atravessa o grosso dos sectores da população portuguesa.
Pena que, envolvendo-se de forma oportunista com esta salutar manifestação, tenham surgido os arruaceiros costumados, cuja “missão” permanente é semear a anarquia e a confusão, incitando aqueles que se manifestaram com razão e ordeiramente a enveredarem pela política de terra queimada.
E também é pena que uma comunicação social paga por todos nós não seja capaz de apresentar com isenção o sentir, os motivos das pessoas. Muitas vezes é descarada a tentativa de forçar os entrevistados a dizerem o que se pretende, em vez de lhes conceder a liberdade de exporem as razões da sua presença nas manifestações. E teria sido muito interessante ouvir algumas opiniões.
Perceberam-se também intromissões ideológicas, à espreita de potenciar a desor-dem, para alcançar proveitos políticos, mesmo em busca de colher dividendos eleitorais desta situação, que vem de longe, que agora explodiu. Tantas receitas – nunca reveladas, apesar de tudo – para uma crise que todos nós criámos e que não será resolvida sem o empenho e o sacrifício de todos.
Percebe-se que há entidades e pessoas em busca de convergências, procurando de verdade a estabilidade, para não pôr em causa tantos sacrifícios já suportados, caminhos já percorridos. Mas abundam também os “sábios”, que nunca deram contributos significativos para a causa nacional, os quais assomam à praça pública no desejo de atingir um protagonismo que as suas ações lhes não conferem.
Esperamos a coragem sensata de quem tem de guiar o barco; esperamos o remo certo de quantos podem fazer o país andar para a frente; esperamos o acolhimento, a opi-nião cordata, porventura o aplauso, de quantos se dispõem a ombrear com o barco, não se poupando a sacrifícios, ainda que perguntando para onde serão encaminhados.
O povo português tem sabido ser ordeiro. Cremos e esperamos que se não deixará envenenar pelos que nunca fizeram senão destruir. Acreditamos que não deixará de julgar com imparcialidade quem o serve ou quem dele se serve.
As crises, discutidas, vividas, com a procura de soluções sem extremismos, são um caminho excelente de consolidação da democracia! E na democracia não tem lugar nem a má educação, nem a destruição, nem a estratégia de atemorizar.
