Pré-campanha – três notas

Questões Sociais A pré-campanha para as eleições legislativas trouxe ao de cima três realidades merecedoras de ponderação: a primeira é o desentendimento entre os dois maiores partidos políticos; a segunda, a impreparação de, praticamente, todos eles; e a terceira, o menosprezo das situações familiares de carência extrema.

Algumas correntes de opinião têm defendido o imperativo de os dois maiores partidos – e outros, se possível – se entenderem para que o país resolva os seus problemas e honre os seus compromissos perante os credores. Tal opinião tem toda a pertinência, e bom seria que fosse correspondida; no entanto, não podemos ignorar a lógica de guerra que marca o historial dos partidos políticos. Neste momento, essa lógica vai até ao risco de os dois maiores procederem como se não quisessem resolver os problemas nem honrar os compromissos, muito embora afirmem o contrário; na verdade, existe uma alta probalidade de o partido que ficar na oposição, qualquer que ele seja, dificultar, o mais possível, a acção do que vier a governar; mesmo que este adopte medidas muito próximas das que ele adoptaria. Resta a esperança de o futuro Governo e o país conseguirem reduzir ao mínimo as consequências desta conflituosidade; talvez com uma ou outra anuência do partido rival.

A segunda nota respeita à impreparação da generalidade dos partidos políticos. O atraso na apresentação dos programas eleitorais foi enorme; e, salvo erro, nenhum contém um quadro orientador de solução efectiva dos nossos problemas, nomeadamente dos mais graves. Entre os problemas não assumidos, figuram as necessidades básicas da população, tais como as de alimentação, água, luz, gás, medicamentos, renda ou amortização de casa…Estas necessidades carecem de respostas solidárias imediatas, que depos se devem integrar em soluções mais consistentes. Para o efeito, a Cáritas Portuguesa propôs a criação de uma «Rede Básica de Protecção Social»; bom seria que todos os grupos e instituições sociais e o Estado a levassem à prática, embora sem limitarem a ela as suas actividades. No caso de assim não acontecer, aumentará diariamente o número de pessoas abandonadas em situação de carência.