Questões Sociais Apesar de tanto activismo e tanta mediatização, a preguiça mental é umas das pechas mais graves da nossa vida política. Os partidos políticos não fazem o essencial do «trabalho de casa»: em geral não dispõem, por exemplo, de programas de governo, permanentemente actualizados, nem de propostas de solução alternativas para os diferentes problemas. E, quando surge um período eleitoral, afadigam-se na preparação apressada desses programas, elaborados não raro sobre o joelho; procedem como estudantes que só estudam quando chegam as épocas de exames. E, na mesma ordem de ideias, limitam-se a respostas vagas para os diferentes problemas do país. Também, por via de regra, não fazem a formação sistemática dos seus militantes, e não investigam nem divulgam as suas bases filosóficas e ideológicas.
Um argumento ridículo bastante utilizado pelos partidos e outras forças da oposição, a favor da sua falta de alternativas, é o desconhecimento da gravidade da situação do país. O partido actualmente no governo foi até ao limite de solicitar uma auditoria ao Bando de Portugal; e, do lado da oposição, também se fala agora de qualquer coisa semelhante. Todos os partidos, quando na oposição, permitem-se fazer os diagnósticos mais aterradores; e, quando se aproximam da governação, invocam, infantilmente, o seu desconhecimento dos problemas.
Ao contrário destes expedientes preguiçosos, nada obsta a que tenham sempre actualizados os seus programas de governo e projectos de orçamento que, naturalmente, se ajustariam, de acordo com os novos dados que fossem surgindo. Aliás, a maior parte da informação necessária acha-se disponível e, em geral, só por leviandade se pode afirmar que se desconhece a «verdadeira situação do país».
Tal como os partidos, também outras forças sociopolíticas descuram a procura de soluções para os problemas do país. Por exemplo, tanto quanto se conhece, os representantes dos parceiros sociais, no âmbito da «comissão permantente de concertação social», não reúnem regularmente uns com os outros, com ou sem a presença dos representantes do Governo. E o mesmo acontece com os representantes das instituições particulares de solidariedade social, no âmbito do «Pacto de Cooperação para a Solidariedade».
