Prepotência

Portugal acaba de sofrer cinco intempéries com uma simples rajada, a de prepotência!

É difícil entender, perceber os humores de cada português. À partida podemos cair na interpretação errónea da raiz do vocábulo, do seu sentido etimológico, se pensarmos que se trata de uma palavra composta por prefixação. Nesse caso, até poder-se-ia entender que quem usa de prepotência baseia-se num percurso de descoberta das capacidades inatas, uma pré-potência! Todavia, a origem radica num substantivo latino que significa, grosso modo, aquele que abusa do poder que tem.

Ora, a prepotência arrasou.

Acto um. O verniz entre Scolari, seleccionador nacional de futebol, e o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Gilberto Madaíl. É pena que o verniz quebre na pior altura, quando já estamos no mundial e é necessário tranquilizar. Porém, todos os portugueses já viram e sentem que calhámos num grupo de qualificação fácil, que jogamos mal e que, talvez para protecção de si próprio, Scolari elegeu um clã de jogadores que, mesmo em má forma ou suplentes nos clubes, entram sempre. Erro de timing. Isso, deveria ter sido feito na altura em que preparávamos o Euro 2004 sem competir a sério!

Acto dois. Portugal a jogar com o Liechtenstein. Aquilo não lembra ao diabo. Jogar para o empate?! Sofrer golos assim?! Não acertar na baliza na marcação de uma grande penalidade?!

Acto três. Um ex-presidente-candidato-a-presiente-da-república violar (não é a primeira vez!) a lei eleitoral para apoiar o filho?! É desesperante para o cidadão anónimo!

Acto quatro. Não querer ver o óbvio é cegueira crassa. Os portugueses não aceitam que muitos honestos e sem poder, a maioria, suportem as despesas do Estado e sequazes! O tempo da iliteracia já terminou (pensamos!). Assim, não é de admirar que todos estejam fartos de quem dá gato por lebre, de responsáveis por gestão danosa de todo o património colectivo.

Acto cinco. Um dolo chamado “Vince”. Para quê anunciar, com gráficos e tremores, a proximidade de um furacão quando se sabe não ser novidade este género de tempestades na nossa costa?! Fazer notícia ou informar?

Que prepotência!

Desportivamente… pelo desporto!