Presente de Bento XVI aos que procuram o rosto de Jesus

Bispo de Aveiro apresentou livro que encerra a trilogia dedicada por Bento XVI a Jesus de Nazaré. Investigação e testemunho de um crente que é Papa.

“Bento XVI quis dar um presente de Natal à Igreja e a quantos procuram o rosto de Jesus Cristo”, afirmou D. António Francisco na apresentação de “A Infância de Jesus” (ed. Principia), terceiro e último volume que o Papa dedicou a Jesus de Nazaré.

Na sessão que decorreu na noite de 9 de janeiro, no Centro Universitário Fé e Cultura, o Bispo de Aveiro confessou que o primeiro contacto com a obra foi uma “surpresa”, pois o “livro é pequeno”, 112 páginas, quando o imaginava maior, vendo nisso uma “autocrítica”: “O Papa escreveu o que era necessário e suficiente. Às vezes, escrevemos de mais para dizer o que poderia ser dito de forma mais simples e com palavras mais diretas”.

D. António Francisco referiu que este terceiro volume, que aborda as narrativas evangélicas sobre a infância de Jesus (capítulos 1 e 2 de Mateus e Lucas), é um “pórtico para conhecer Jesus” e “encontrar luz para reler os outros dois volumes”. Referiu a “longa investigação” do autor, “mesmo antes da eleição papal”, sempre “no seio da Tradição da Igreja”, mas usando também a “exegese moderna” e “dando testemunho de crente”.

Quanto a ideias fortes a partir do interior da obra, D. António Francisco afirmou que o livro parte da pergunta de Pilatos a Jesus sobre a identidade do messias, que vem no Evangelho de João, no contexto da Paixão, para a seguir falar dos primeiros anos de vida de Jesus. A explicação para esta relação está em que “presépio e calvário estão próximos”, tal como o “parto original e a ressurreição”, pois com Jesus tem início a “nova humanidade”. O episódio da estrela, com o seu percurso teológico e não astronómico, mostra como estamos perante algo novo. “Não é a estrela que determina o caminho do Menino, mas o Menino que muda o destino da estrela”, afirmou.

A ideia de testemunho pessoal do teólogo Joseph Ratzinger, que é Papa, foi muito sublinhada pelo Bispo de Aveiro. Bento XVI quis “dar a conhecer Jesus à luz do Espírito e da Tradição da Igreja”, com uma investigação que “não é magistério” mas antes “procura pessoal do rosto de Jesus“, um “apresentar a crentes e não crentes a sua fé”.

D. António Francisco notou que os livros são “um testemunho de forma nova” na tradição eclesial, pois nunca nenhum Papa escrevera obras deste teor, e elogiou a coragem de Bento XVI se expor a críticas de “crentes, exegetas, filósofos e teólogos”, pois logo no primeiro volume lançara o convite ao debate teológico sobre Jesus. “Que os livros sejam oportunidade para falar de Jesus, mesmo que discordem, contestem, argumentem. Desde que falem de Jesus, vale a pena”, sintetizou o Bispo de Aveiro.