Revisitar… o Vaticano II 1 – Superar uma ética individualista.
A Gaudium et Spes refere vários elementos básicos para a construção de uma consciência social, que impõe que os esforços formativos de agentes e da comunidade partam deste pressuposto: “A profunda e rápida transformação do mundo exige, com toda a urgência, que não haja ninguém que, por inadvertência à evolução das coisas ou por inércia, se contente com uma ética individualista” – GS 30.
A civilização do relativismo atingiu o cerne da consciência das pessoas. Aliada a uma perspectiva falsa da pessoa humana – apenas como ser autónomo e livre, único e irrepetível – esta forma de pensar torna-se obsessiva e impenetrável a qualquer apelo de solidariedade, porque nenhuma norma objectiva tem valor senão filtrada pelo que “eu penso” (os meus interesses reclamam!).
Isto tem como consequência o alheamento pelo social. “Há, porém, pessoas que, professando ideias largas e generosas, vivem realmente como se não se preocupassem com as necessidades sociais. Mais ainda: são muitos os que, em vários países, menosprezam as leis e prescrições sociais” – GS 30.
2 – Primazia ao bem comum
É preciso descobrir a outra face da pessoa humana: ser-em-relação. Nessas circunstâncias, sem anular a individualidade, cada um percebe e sente que só se realiza na permuta, na cooperação com os outros. Não é uma violência considerar os outros a par consigo, acolher as suas ideias como contraditório, educar a consciência a partir do diálogo e busca conjunta. Mais: percebe-se que esse é um dever libertador.
A partir daí, percebe-se que o bem comum é o bem de cada um e também o bem do maior número. “O dever de justiça e de caridade cumpre-se cada vez melhor quando cada um, contribuindo para o bem comum segundo as suas próprias possibilidades e as necessidades alheias, promove também o desenvolvimento das instituições, tanto públicas, como privadas, e ajuda as que servem para melhorara as condições da vida humana” – GS 30.
Alicerçando bem estes dois princípios no coração dos agentes e da comunidade em geral, criaremos o clima para germinar o voluntariado e para fazer dos próprios “funcionários” de instituições ou membros de grupos apaixonados da partilha e do auxílio fraterno, segundo a palavra inspiradora de Jesus Cristo. E, seguramente, que tudo o que seja organizado na paróquia como resposta às carências de alguns dos seus membros será vivido em sintonia, segundo o coração de Cristo.
Q.S.
