Procurator pauperum

Revisitar… o Magistério Três anos de ministério episcopal definem claramente quem o exerce e marcam indelevelmente quem dele beneficia. Foi essa efeméride que ocorreu no pretérito dia 19 de Março, respeitante a D. António Francisco, Bispo da nossa Diocese.

No almoço de quinta-feira santa, o P. João Gonçalves recordou o facto e agradeceu o ministério de D. António entre nós, caracterizando-o pela proximidade e afecto para com o seu povo e especificamente o seu presbitério, com a marca de uma tendente relação pessoal, considerada de excelência. Outras marcas definem o seu serviço a esta porção do Povo de Deus. A dedicação e a preferência pelos pobres são também notórias.

A Exortação Apostólica Pastores Gregis, falando do desejável estilo de vida do Pastor, diz com desassombro: “A autoridade episcopal deve ser exercida com incansável generosidade e inexaurível gratuidade” – PG 20. Sentimos que essa é a forma de viver daquele que o Senhor colocou ao leme da Igreja de Aveiro.

Essa incansável generosidade e inexaurível gratuidade tornam o Pastor íntimo e solidário com a Grei. Mais: reclamam-lhe uma “vida simples, sóbria e ao mesmo tempo activa e generosa”, que nele plasma a figura do amor pelos mais pobres, o estimula na “fantasia da caridade” e o leva a colocar os “que são considerados os últimos da sociedade, não aos lados, mas ao centro da comunidade cristã” – cf. PG 20.

Desde os primeiros gestos pastorais entre nós que D. António se faz pregoeiro desta profecia da qual a Igreja é devedora ao mundo. “Procurator pauperum sempre foi um título dos pastores da Igreja e deve sê-lo concretamente também hoje, para tornar presente e eloquente a mensagem do Evangelho de Jesus Cristo como fundamento da esperança de todos, mas especialmente daqueles que só de Deus podem esperar uma vida mais digna e um futuro melhor” – PG 20.

A exigência do testemunho é proporcional à responsabilidade. À semelhança do Mestre, nessas circunstâncias o Pastor poderá dizer: “Dei-vos o exemplo”… “Solicitadas pelo exemplo dos Pastores, a Igreja e as Igrejas devem praticar aquela «opção pelos pobres»”… – PG 20. O projecto pastoral para este ano que estamos a viver é o mote de um pontificado já marcado por esta preocupação de tornar visível o crescimento do Reino, na descoberta, acolhimento e partilha com todos ao que as pobrezas dos nossos dias empurram para a exclusão.

O “Bispo, que deseja ser autêntica testemunha e ministro do Evangelho da esperança, deve ser vir pauper. (…) A decisão do Bispo de viver o seu ministério na pobreza contribui decididamente para fazer da Igreja a «casa dos pobres»” – PG 20. O mundo que integramos precisa desta profecia. Os presbíteros da nossa Diocese, as nossas Comunidades eclesiais, necessitam e agradecem, senhor D. António, o rumo pastoral profético que transmite com a sua vida!

Q.S.