Novas propostas para o Salgado de Aveiro A promoção do Salgado Aveirense, enquanto produto turístico caracterizador e diferenciador da região de Aveiro, é uma das propostas avançada pelo “Estudo de revitalização e valorização económica do Salgado de Aveiro”, elaborado pela empresa MultiAveiro, no âmbito do projecto internacional “Sal do Atlântico / Interreg IIIB”, de que a Câmara Municipal de Aveiro foi parceira.
Para além do diagnóstico da salicultura em Aveiro, actividade praticada há mais de um milénio, o estudo apresenta alguns cenários possíveis para o futuro da produção artesanal de sal, de modo a rentabilizar essa actividade e a preservar as tradicionais marinhas de sal.
Para que o salgado aveirense, actualmente reduzido a “meia dúzia” [nove, na realidade] de marinhas no activo, todas situadas nas proximidades da cidade de Aveiro, mas que já contou com centenas de marinhas espalhadas um pouco por toda a zona da ria, desde Ovar a Ílhavo, possa conhecer uma nova força, relevância, interesse e mais qualidade, o referido estudo apresenta algumas propostas que podem ser implementadas em complementaridade com a tradicional produção de sal.
Entre essas propostas, o estudo aponta a musealização do salgado, com apoios ao investimento material e imaterial na recuperação das marinhas e nos produtos delas resultantes; desenvolvimento de estratégias de diferenciação e de promoção do salgado enquanto produto turístico da Região Centro e da cidade de Aveiro; geração de novas procuras e alteração de estratégias de produtores e proprietários; alteração da legislação sobre comercialização do sal; clarificação de regras de relação entre proprietários e produtores, de forma a tornar o sector atractivo.
Para que isso seja possível, os responsáveis pelo estudo consideram imprescindível a intervenção da Administração Pública e o esforço de concertação entre os agentes envolvidos.
O estudo apresenta um plano de acção, onde constam medidas como a criação da Associação de Desenvolvimento do Salgado e de um Plano de Formação dos Marnotos através da certificação da profissão do marnoto, da melhoria das habilitações e da formação em gestão.
A recuperação das salinas e a certificação e garantia da qualidade (ordenamento do salgado, sistema de garantia de qualidade e certificação de origem) são outras medidas apontadas no estudo.
O sal deve ser promovido e comercializado com base num verdadeiro plano de marketing, sugere o estudo, que aponta ainda a necessidade da criação de um “Observatório do mercado do sal”. Numa perspectiva de divulgação, a actividade museológica deverá ser diversificada através de uma campanha junto da comunidade escolar e da concepção de actividades lúdicas associadas ao salgado. Há alguns anos, a Companhia de Dança de Aveiro realizou um excelente vídeo promocional tendo por cenário os carreiros das salinas.
No que se refere ao turismo, o estudo considera que poderia ser feita uma campanha de divulgação junto dos agentes turísticos, bem como a criação de uma página Internet sobre o sal de Aveiro e a realização de uma feira do sal.
Por fim, o estudo aponta diversas dificuldades actualmente existentes, nomeadamente a não comercialização de sal em pequenas quantidades com características específicas; a inexistência de medidas articuladas de protecção da qualidade das águas; a ausência de protecção social e de competências de gestão dos marnotos; a falta de apoio ao investimento na promoção e recuperação do salgado e diminuição da capacidade atractiva.
