Profetas para o mundo de hoje

À Luz da Palavrqa Domingo XIV do Tempo Comum

Ez 2, 2-5; Salmo 122 (123); 2 Cor 12, 7-10; Mc 6, 1-6

O Concílio Vaticano II afirma que na Igreja, novo povo de Deus, cada um dos seus membros participa, a seu modo, na tríplice função de Cristo: sacerdote, profeta e rei. A Liturgia do Domingo XIV do Tempo Comum, através de três experiências distintas, ajudar-nos-á a introduzir-nos e a aprofundar nalgumas características da função profética.

O profeta na Escritura é alguém que recebeu um chamamento da parte de Deus, e a sua missão consiste em ser intérprete entre Deus e os homens. O profeta é a voz de Deus. Através dele, Deus fala ao homem e diz-lhe o que precisa de escutar no momento concreto que está a viver. Às vezes esta Palavra incomoda porque contém uma verdade que não é do agrado de quem escuta, e o profeta converte-se num personagem “não desejável”. Outras vezes, o profeta é portador de uma grande esperança que abre novas possibilidades para aqueles que o escutam.

Na primeira leitura, o profeta Ezequiel conta-nos a sua própria experiência. Deus envia-o a um povo “de cabeça dura e coração obstinado” (Ez 2,4), um povo rebelde que se sublevou contra o Senhor e o ofendeu. O próprio Deus adverte o profeta que seguramente não o escutarão, “mas saberão que há um profeta no meio deles” (Ez 2,5). Se há um profeta, Deus também lá está. O profeta que fala em nome de Deus é sinal de que Deus está vivo. Hoje, mais do que nunca, são necessários, no meio do povo, profetas que, perante às situações quotidianas, se definam diante de todos em nome de Deus. Escutem ou não escutem, o importante é que os homens do século XXI entendam que Deus está vivo, que ainda tem voz, que ainda tem uma palavra a dizer frente às realidades políticas, sociais, económicas, ambientais.

A segunda experiência é a do apóstolo S. Paulo. Ele deixa-nos entender que o profeta é um homem frágil. A força do profeta não está no seu carácter ou na sua personalidade, mas na sua própria fraqueza, pois nela actua a força de Deus com todo o seu poder. Paulo tem esta experiência tão clara que chega a dizer “quando sou fraco então sou forte” (2 Cor 12,10). Frente à missão que o Senhor propõe à sua Igreja, ou seja, aos cristãos de hoje, não servem certas justificações, tais como: “não sei”, “não posso”, “não tenho forças”. Só serve a confiança no Senhor que actua na fragilidade. A sua graça basta (cf. 2 Cor 12, 9).

E por último, o Evangelho narra-nos a experiência de Jesus. Ele é um profeta “desprezado na sua terra” (Mc 6,4). “Não é Ele o carpinteiro?” (Mc 6, 3) É desprezado porque os seus só o conhecem por fora, desconhecem o mistério da sua vida interior. Também os cristãos de hoje, profetas pelo baptismo, se decidirem viver a missão profética, terão que suportar as suspeitas dos nossos. No entanto, o profeta não vive da opinião dos outros, mas antes do mistério guardado no seu coração. Ele sabe que o próprio Deus é quem o envia, e que é Ele quem levará a bom termo a missão confiada.

Estrella Rodríguez FMVD