Projecto de unidade ao alcance de todos

Catequeses Quaresmais Oração Sacerdotal. D. António Marcelino escolheu a oração do capítulo 17 do Evangelho de S. João para a quarta catequese desta Quaresma. A oração recebeu o qualificativo de “sacerdotal” por um exegeta protestante do séc. XVI porque indica a função de intercessão. O sacerdote, desde o Antigo Testamento, é aquele que medeia entre Deus e o povo. É o que oferece sacrifícios a Deus, no templo, pelo povo. “Jesus é, de facto, o grande intercessor junto do Pai, pelos seus e pela humanidade, comprometendo-nos com a sua oração”.

“Oração consoladora e altamente comprometedora”. “Toda esta oração de Jesus nos ensina a rezar”, diz o Bispo de Avei-ro, tendo “vários temas fundamentais”:

– a glória, esplendor da divindade: “Pai, glorifica o Teu filho para que o Teu filho Te glorifique…”

– a dádiva: “Tu me deste poder sobre todos os homens, para que Eu dê a vida eterna a todos os que me deste…”

– a reciprocidade: “Tudo o que é Meu é Teu e tudo o que é Teu é Meu”

– a protecção: “Guarda em Teu nome os que Me deste… Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno…”

– a unidade: “…Que sejam um, como Nós somos Um… que eles cheguem a perfeição da unidade e assim o mundo reconheça que Tu me enviaste e que os amaste a ele como a Mim”

Ao alcance de todos. O projecto de unidade, “dom dado” e “utopia por realizar”, está ao alcance de todos os que crêem. Unidade entre cristãos, porque “a desunião retarda a fé em Jesus Cristo”, enquanto “a união acelera a fé no Senhor”; mas também a unidade que é projecto de salvação, a unidade que é “regresso à casa do Pai”, a unidade que é “cooperar no bem” (expressão de S. Paulo), a unidade que é “visibilidade da comunhão mais profunda”, a unidade do amor de Deus inseparável do amor aos irmãos, a unidade que se identifica com a paz interior e com a verdadeira alegria…

Aparentemente ausente. Sempre que se fala de unidade e de comunhão, o Espírito Santo está presente, sem que haja necessidade de falar expressamente nele. Ele encontra-se presente em todas as realidades da nossa vida que conduzem a estas atitudes ou as exprimem.

Essa força, essa coragem. O Espírito Santo abre o coração. Leva-nos a rezar como Charles de Foucauld, que dizia, na oração que encerrou a catequese quaresmal da última segunda-feira: “Ó meu Deus,/ instrui-me não só sobre o que Tu queres,/ mas também sobre o que Tu és,/ porque quanto mais eu Te conhecer,/ mais Te amarei./ Amar-Te é o meu primeiro dever,/ a coisa que acima de tudo queres de mim,/ e que também é a minha grande necessidade.(…) Dá-me essa força, dá-me essa coragem”.

Próxima Catequese: Segunda-feira, 3 de Abril, no Salão de S. Domingos, às 21h15. Tema: “Na escola do Lava-pés”.