Com o Projecto Giros a IPSS Florinhas do Vouga vai ao encontro dos toxicodependentes
A equipa de rua do Projecto Giros, da IPSS Florinhas do Vouga, apoia cerca de 50 pessoas por mês, na sua maioria arrumadores de carros e sem abrigo, geralmente com problemas de consumo de álcool ou de drogas, revelou Ana Paula Caetano, coordenadora do Projecto Giros, que realçou ainda o facto de desde Setembro de 2008 até Maio de 2010, já foram apoiadas 106 pessoas, nomeadamente ao nível de alimentação (encaminhamento para o Refeitório Social das Florinhas do Vouga), cuidados de enfermagem (há um enfermeiro na equipa), apoios psicossociais (prestados por assistentes sociais e por um psicólogo), cuidados de higiene (balneário e rouparia), e encaminhamento para estruturas de saúde (Hospital, Equipa de Tratamento – ex-CAT) e de apoio social (Segurança Social).
O Padre João Gonçalves, responsável pela IPSS Florinhas do Vouga explicou que a equipa Giros surgiu com o objectivo de “estar perto dos consumidores de algumas substâncias tóxicas, para os ajudar e também para reduzir os danos desse consumo”. Com o projecto Giros, e também com a equipa de rua Intervenção Directa, que está no terreno há mais tempo, e que se complementam, a Florinhas do Vouga empenhou-se profundamente no trabalho com “as pessoas que estão mais na margem da sociedade”, nomeadamente os arrumadores de carros, os toxicodependentes, os sem-abrigo e outras.
A equipa Giros visa dois tipos de acções, uma delas, que dá o nome ao projecto, “são os giros que a equipa faz, em diversas noites da semana, pelas zonas de Aveiro mais frequentada por esse tipo de pessoas, permitindo que essas pessoas que queiram ser ajudadas recorram a esse serviço”. A par desse trabalho, o Padre João Gonçalves referiu que o outro serviço da Giros “é mais individualizado, de encaminhamento dessas pessoas para serviços específicos de apoio”. Estes serviços são complementados pelo Balneário, criado para “as pessoas que manifestam alguma dificuldade na sua higiene pessoal possam tomar o seu banho e mudar a sua roupa”, ou seja “para que as pessoas possam ser ajudadas a reduzir os danos que as drogas provocam nas próprias pessoas, como um certo abandono e desleixo, ajudando a recuperar a sua forma e auto-estima”.
O Padre João Gonçalves disse ainda que a equipa Giros presta apoio a algumas prostitutas, uma vez que “como a nossa carrinha tem lugares de paragem fixos, nos parques de estacionamento ou em zonas problemáticas, essas pessoas aproximam-se também porque vão ganhando a confiança nestas equipas porque sabem que são pessoas que aí estão para ajudar, não estão para julgar”. Muitas destas pessoas também aparecem na ‘Ceia com calor’, o reforço alimentar que os voluntários das Florinhas do Vouga dão à noite. “Muitas dessas pessoas pretendem mesmo ser ajudadas, mas para isso precisamos de lhes ganhar confiança e que percebam que nós estamos a fazer este trabalho por causa delas, para as ajudar e, se elas quiserem, para as encaminharmos para os serviços de tratamento ou outros. Mas tudo isso leva o seu tempo, até porque muita dessa gente sente que foi empurrada para a margem da sociedade e, por isso, elas fogem da sociedade. Nós estamos lá, e vamos à procura delas”, refere o sacerdote.
Para o Padre João Gonçalves, a grande novidade destas duas estruturas da instituição, Giros e Equipa de Intervenção Directa, é que “ao contrário do que muitas vezes se faz, que é instalarmos os nossos gabinetes e ficarmos à espera que as pessoas venham às consultas, com estas equipas somos nós que vamos à rua. Essa é a estratégia que, cada vez mais, deve ser desenvolvida nesta área, porque essa também é uma dinâmica do Evangelho: Ir e Anunciar”.
Cardoso Ferreira
