Sobre os alegados efeitos no peixe da prospecção de petróleo no mar, entre Nazaré e Aveiro, que têm sido referidos por pescadores que operam nessa zona do litoral, Maria Ana Santos, professora e investigadora do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro (UA), considera que os estudos escasseiam, mas os que foram realizados até agora indicam que efeitos poderão ser reversíveis a médio prazo.
Em Portugal, têm surgido notícias de alguns protestos de pescadores sobre a fuga dos cardumes em redor das zonas marítimas onde a prospecção de petróleo tem vindo a ser efectuada. No entanto, aquela investigadora da UA sublinha: “Após um período de razoável meditação, que se pautou por uma pesquisa de dados científicos publicados, relativos aos efeitos das ondas sísmicas utilizadas na prospecção do petróleo, especialmente em vertebrados de vida aquática e mais particularmente em peixes, verifiquei que a evidência científica revela efeitos fisiológicos e anatómicos no aparelho auditivo de algumas dessas espécies e que alguns desses efeitos poderão ser reversíveis a médio prazo”.
Apesar disso, reconhece que “a indústria petrolífera tem-se pautado, ao longo do tempo e no mundo inteiro, pelo grande número de desastres a nível ambiental, provenientes de derrames acidentais relativos a petroleiros, seja na trasfega, no decurso do transporte ou ainda devido a acidentes graves em plataformas petrolíferas. As consequências da contaminação do meio aquático marinho pelo derrame de petróleo são desastrosas para o ambiente”.
