Questões Sociais O atual governo está em queda; pode cumprir o seu mandato até ao fim, mas não evitará o desgaste permanente a que o sujeitam as forças político-sociais e as «as figuras notáveis» do país. Entretanto, o futuro governo do PS, coligado ou não, também já iniciou o seu processo de queda; na verdade, o PS, o PSD e o CDS vêm sendo iguaizinhos nos seus comportamentos oposicionistas. O governo anterior caiu porque a dívida e os défices eram excessivos, não acertava nas previsões económico-financeiras, não garantia o crescimento da economia nem do emprego, deixava aumentar os níveis de desemprego e de pobreza, perdia credibilidade externa…. O PSD e o CDS aliaram-se aos outros partidos da oposição, criaram a expectativa de mudanças favoráveis, fizeram cair o governo e ganharam as eleições.
Neste momento, o panorama é semelhante ao do governo anterior, apesar das expectativas de regresso aos mercados. O PS não perdoa ao PSD e CDS, tal como estes não tinham perdoado ao PS. E, dentro da mesma lógica, o PSD e o CDS não perdoarão ao futuro governo PS, coligado ou não. Claro que o PS alimenta a ilusão de um milagre, em que tudo reverta a seu favor; mas depois, quando chegar ao governo, verificará que o milagre não aconteceu, e dirá, como os governos anteriores, que a situação económico-financeira do país era muito mais grave do que imaginava. Assim, terminada a ilusão do milagre, tudo recomeçará, provavelmente a partir de um ponto ainda mais grave do que aquele em que nos encontramos.
São muitas as causas que provocaram a crise atual e que não permitem sair dela. Entre as causas, figura claramente o desentendimento insanável entre as diferentes forças políticas, nomeadamente as dos chamado «arco da governação». Enquanto os partidos alimentarem a pretensão de ser alternativa total (totalitária?) em relação aos outros, não se dispondo a cooperar, a crise nunca será debelada; mesmo que pareça estar a ser vencida.
