Publicam-se mil novos títulos por mês

Tertúlia analisou marketing editorial. Publicar é fácil. Complicado é chegar ao leitor. O marketing editorial existe para dar visibilidade ao livro

Em Portugal, editam-se cerca de mil novos títulos por mês, o que dá uma média da ordem dos 12.000 novos títulos por ano. Mesmo com tiragens de mil exemplares por título, são doze milhões de livros que chegam anualmente às livrarias. Por isso, o marketing editorial é fundamental para que um número significativo desse livros chegue às livrarias e, mais importante do que isso, sejam expostos nos melhores espaços: montras, estantes centrais e com as capas em exposição.

Essas questões estiveram em análise numa tertúlia sobre marketing e livros promovida pela Associação dos Antigos Alunos da Universidade de Aveiro, no Hotel Moliceiro, que teve por oradores convidados Nunes Carneiro (editor, consultor editorial e docente de marketing), Paulo Ferreira (consultor editorial) e Manuel Dias da Silva (escritor).

Os oradores consideraram o número de novos títulos bastante elevado para um mercado como o português. Por isso, uma grande percentagem desses livros nunca chega às livrarias de referência. Por outro lado, o elevado número de novos livros obriga as livrarias a fazerem uma constante rotação de livros, pelo que o tempo médio de permanência dos títulos nas livrarias não ultrapassa meio ano.

O marketing editorial tem por função dar visibilidade ao livro, para que os livreiros o encomendarem e o exponham nos melhores locais. Para um livro ganhar visibilidade, é importante que seja falado e mostrado por comunicadores de referência na televisão ou alvo de boas críticas nos jornais de referência nacionais.

A notoriedade do autor, a forma como o tema é tratado e o aspecto gráfico do livro também devem ser considerados na promoção editorial, tal como o bom uso da Internet e de outros meios de comunicação.

Para os oradores, se o preço do livro for comparado com outros produtos culturais (bilhetes de espectáculos e de cinema, por exemplo), chega-se à conclusão que o livro é relativamente acessível porque, ao contrário dos espectáculos, o livro fica em casa, durante anos, e pode ser lido e relido quantas vezes se quiser.

Os oradores realçaram ainda que as livrarias actuais são grandes espaços comerciais, em que já não há livreiros mas gestores comerciais e vendedores de livros. Há muito que se deixou de dar formação específica aos funcionários das livrarias. A par disso, o mercado livreiro está concentrado em grandes grupos que ditam as regras e cujas centrais de compras fazem rigorosas selecções das editoras, autores e livros que lhes podem proporcionar maiores lucros.

Cardoso Ferreira