Publicidade e crises

Olhos na Rua Somos cada dia empurrados para o consumismo e bombardeados por promessas vãs e ilusórias. Entidades bem marcadas pelos seus objectivos, haja em vista os bancos e os correios, foram-se transformando também em balcões publicitários dos produtos mais variados. Em alguns casos, como por aí se pode ver, as salas de atendimento mais parecem quermesses e tômbolas onde se vende de tudo.

A publicidade é um meio legítimo e normal para informar, em ordem à comercialização, produtos de interesse para o público. Parece-me, porém, que extravasa do seu objectivo, quando se põe ao serviço do consumismo exagerado e de um mundo de sonhos fáceis. Os bancos, por exemplo, prometem aos seus clientes facilidades, que logo terminam quando surgem processos de insolvência. Então, os insolventes, muitas vezes enganados, deixam de ter rosto para a instituição que os aliciou. Outra publicidade criticável é a de alguns meios de comunicação social. Para vender mais, resvalam, conscientemente, para o sensacionalismo, quando não para a mentira, para a falta de cuidado no que dizem. E até resvalam para a porcaria ou para transformar em grandeza social, as misérias humanas dos ídolos de pés de barro e dos aspirantes a ídolos.

Muita publicidade, alimentada por respeitáveis engravatados, vai desfigurando o rosto do país, e ninguém lhe pede contas, a menos que lhe toque pela porta.