Pulsão capitalista universal

Questões Sociais A pulsão capitalista (concentracionária e com «exploração do homem pelo homem») ficou bem patente na crise económico-financeira global e nas respostas desencadeadas para a enfrentar; ficou também patente nos processos eleitorais no nosso país, e tudo leva a admitir que o mesmo venha acontecendo nos outros. Ela evidencia-se em realidades notoriamente provocatórias e em lacunas mais ou menos ignoradas. Entre essas realidades, contam-se: A concentração de riqueza; as remunerações milionárias; as desigualdades excessivas nos diferentes sectores de actividade; o poder reivindicativo dos grupos socioprofissionais de médios e altos rendimentos; a aliança tácita entre os consumidores, que desejam preços baixos, e as grandes empresas, que os proporcionam; a quase redução das aspirações e reivindicações mais propaladas à exigência de mais dinheiro e mais despesa pública… Os estratos socioprofissionais de médios e altos rendimentos até utilizam, a favor das suas reivindicações, o argumento de que a elevação das suas remunerações trará, por arrastamento, a elevação das remunerações mais baixas; esta posição assemelha-se à afirmação de outrora, segundo a qual é bom para os Estados Unidos da América o que é bom para a «General Motors». A pulsão capitalista promotora de desigualdades até faz uma utilização grosseira da teoria marxista, afirmando que um micro-empresário que luta pela subsistência é mais «explorador» do que um quadro técnico ou dirigente de elevada remuneração, por conta de ou-trem; segundo esta grosseria, esse empresário(?) contém, na sua motivação e actividade, os gérmes da «exploração do homem pelo homem». Dinheiro, sempre dinheiro e mais dinheiro é o grande móbil da pulsão capitalista universal, disfarçada muitas vezes sob a roupagem de objectivos considerados mais dignificantes; tal pulsão acontece nos diferentes posicionamentos políticos, tipos de cultura, níveis de qualificação, estratos sociais….

A par destas e de outras realidades patentes, a pulsão capitalista manifesta-se, igualmente, em graves lacunas. Faltam, nomeadamente, «escolas» e movimentos de formação e transformação que visem: a igual dignidade humana; a criação e desenvolvimento de empresas e outras organizações caracterizadas pela justiça, participação, motivação (de empresários e outros trabalhadores), humanismo e integração no bem comum; a intervenção, em profundidade, nos «modos» e nas «relações de produção»… Devido a estas e outras lacunas, desaproveita-se o enorme potencial transformador do «terceiro sector» (sem fins lucrataivos), bem como de inúmeras empresas e outras organizações.Pela mesma razão, não existem quaisquer garantias de que as empresas públicas ou nacionalizadas travem a pulsão capitalista; podem, simplesmente, substituir os seus beneficiários.