Qual o maior teólogo do séc. XX?

O Leitor pergunta A pergunta, surgida num intervalo das aulas de Introdução à Teologia (“Responda lá no jornal, professor!”), no ISCRA, é praticamente irrespondível. É mais difícil do que responder a qual o melhor jogador de futebol… Eusébio? Pelé? Maradona? Di Stefano? Beckenbauer? Cada pessoa terá as suas preferências. E cada teológo, como os jogadores, tem as suas áreas. Mas, enquanto os mestres da bola procuraram jogar bem, dar espectáculo e ganhar troféus, com os teólogos os troféus são outros.

A minha experiência diz que quando se pergunta “que teólogos conheces?”, as respostas recorrem invariavelmente a gigantes do passado, como S. Tomás ou S.to Agostinho, ou a nomes do presente, como Leonardo Boff, que, apesar da importância, não é um nome cimeiro da Teologia. E se a pergunta for: “E teólogos portugueses?” A resposta é quase sempre a mesma (quando é): Bento Domingues (que já alguém apelidou mestre na difícil “teologia do quotidiano”).

Ou seja, mesmo entre pessoas de alguma cultura, não conseguiríamos arranjar um conjunto de nomes para formar uma equipa de cinco… E no entanto, o séc. XX, a par com o tempo dos “Padres da Igreja” (à volta do séc. IV), foi o mais fértil para a Teologia.

Numa selecção estritamente pessoal, aqui ficam cinco fazedores de pontes entre a fé e a cultura, a política, a sociedade, as outras religiões, cinco que abriram caminho… – é para isso que servem os teólogos. Acho que nenhum deles quis ser o maior pela lógica do sucesso. Há uma outra lógica bem mais importante (quer saber qual? Veja Mt 18, 1-5). Mas todos foram grandes. A minha selecção aponta para estes seis: Karl Barth (suíço, 1886-1968); Rudolf Bultmann (alemão, 1884-1966); Karl Rahner (alemão, 1904-1984); Yves Congar (francês, 1904-1995); Hans Urs von Balthasar (suíço, 1905-1988); e mais este: John Courtney Murray (norte-americano, 1904-1967). Mas poderia acrescentar ainda estes (que já não estão entre nós), certamente da primeira divisão da Teologia do século XX: Romano Guardini (alemão, 1885-1968), Paul Tillich (alemão, 1886-1965), Henri de Lubac (francês, 1886-1991); Teilhard de Chardin (francês, 1881-1955), Dietrich Bonhoffer (alemão, 1906-1945) Bernard Haering (holandês, 1912-1998). Ou estes que continuam a escrever: Edward Schille-beecx (holandês, 1914 – ), Gustavo Gutiérrez, (peruano, 1828 – ), Johann Baptist Metz (alemão, 1928 – ), John Milbank (inglês)…

Na próxima semana gostaria de deixar cinco frases sobre cada um dos “meus” seis seleccionados.

J.P.F.