Quando falta a luz

Ponta de Lança As incidências do jogo da bola podem ser, muitas vezes, inspiração para outras matérias, para outros conteúdos.

O pretérito Benfica-Sporting permite três ilações para a vida de todos os dias:

1 – Quando não se sabe da arte, o melhor é não inventar.

Ora, nesta matéria, os holandeses a treinar em Portugal têm dado provas de pouco conhecimento da arte da qual ganham, seguramente, rios de euros. Lá para as bandas da Luz trabalha o senhor Koeman. Desde que chegou, a única coisa que tem feito é dar sinais de perceber pouco da matéria. Na pré-época, experimentou de tudo e acertou pouco; era pré-época, não houve problema. Começou a liga… continuou a inventar, em consequência, bateu recordes negativos. Depois, num golpe de pura magia, mudou tudo contra o Manchester. E correu bem! Aproveitou a embalagem, não inventou e as coisas começaram a ficar normais. Como resolveu o caso Karyaka? Como trata o assunto Nuno Assis? Como enfrentou os problemas físicos de Miccoli, Simão, Quim, Moreira? Muito mal. Os jogadores, pura e simplesmente em meia dúzia de minutos, demonstraram que não estavam recuperados. Asneira! E o caso Moretto? E a táctica para o jogo com o Sporting? E as palavras depois deste jogo? – enquanto em Alvalade, a seis ou mais pontos do FC Porto, se fala em ataque ao título, o senhor Koeman, a três ou seis pontos, dá sinais de derrotado, de impotência! Impressionante discurso de quem, pelo menos nas palavras, deve incentivar tudo e todos para a vitória!

A Norte, o outro holandês também age de forma semelhante. Quando tudo parece funcionar… inventa e estraga!

2 – Pragmatismo.

A boca, com todas as suas interacções, é algo de fantástico! Ao longo dos séculos foi a principal ferramenta da comunicação. Hoje há outras ferramentas; mas a boca continua a ser imprescindível. Em Portugal, país secular e sábio, criou-se o adágio “pela boca morre o peixe”. Por isso, o melhor é só utilizá-la no essencial. E, quando se utiliza para mandar “foguetes antes da festa”, normalmente o adágio ganha aplicação. Haja alguém que traduza isto para holandês!

3 – Luz de espírito.

Quando falha a centelha da luz (aquela que ilumina o espírito humano para outras hipóteses e soluções), falha tudo. Pela Europa fora, varrida a frio glaciar, a falha de gás e luz (entenda-se eventualmente como sinónimo de electricidade) desperta o engenho humano para outras soluções, mais arcaicas, mas soluções de sobrevivência. Ora, na Luz, não houve soluções (nem arcaicas!) e o frio glaciar congelou tudo. Tudo, menos o outro lado da Segunda Circular. Como é possível uns com tanto e outros com tão pouco e logo ali ao lado!

Desportivamente… pelo desporto!