Quatro anos decisivos para imigração do Leste

Lions promoveu palestra sobre imigração Nos últimos quatro anos, a situação dos imigrantes do Leste em Portugal melhorou bastante, afirmou Lyudmila Billa, presidente da Associação de Apoio ao Imigrante, numa palestra promovida pelo Lions Clube de Santa Joana Princesa.

Na sua palestra, focou a situação dos imigrantes da Europa do Leste, com destaque para os ucranianos, historiou a presença desses imigrantes em Portugal nos últimos quatro anos, desde os imigrantes que deram início a essa imigração, até aos imigrantes de agora, e apontou alguns projectos da Associação de Apoio ao Imigrante.

Nestes quatro anos, “há algumas coisas diferentes, bem diferentes. Já notamos algumas mudanças nos nossos imigrantes, graças a Deus, para melhor”. Entre essas diferenças para melhor, Lyudmila Billa apontou a questão cultural, visível na quantidade de jornais em língua russa, o que, demonstra a diferença “entre a imigração que éramos e a que somos hoje. Nestes quatro anos, o governo de Portugal fez muitas coisas para melhorar a situação dos imigrantes, como a possibilidade dos imigrantes obterem equivalências e competências, por isso, já temos médicos e engenheiros imigrantes, temos professores na universidade, como é o meu caso que consegui agora dar aulas na Universidade de Aveiro. Já temos jornalistas e realizadores que começam agora a trabalhar na RTP 2. A Associação esteve, desde o seu início, a dar esse apoio”.

Sobre o tema da palestra, Gaspar Albino, presidente do Lions Clube de Santa Joana Princesa, sublinhou que “sem darmos por isso, temos sediadas entre nós uma das maiores comunidades de imigrantes ucranianos em Portugal. Por outro lado, a capacidade de liderança de Lyudmila Billa é enorme e conseguiu organizar uma associação que represen-ta esses imigrantes”. E também porque “não queremos que estes imigrantes se sintam marginalizados como os portugueses foram, infelizmente, em outros países, como na França, por exemplo, onde viveram em guetos”.

Nas universidades russas e portuguesas

Sistemas de ensino muito diferentes

Lyudmila Billa, agora que está a trabalhar na Universidade de Aveiro, já pode apontar algumas diferenças entre o ensino em Portugal e o ensino na Ucrânia e na Rússia. E começou por dizer que as diferenças que “são muitas. O nosso ensino é muito exigente, exigente por todo o lado, enquanto que aqui há mais liberdade, pelo que a pessoa adulta tem, ela própria, que perceber que tem de estudar. No Leste, na educação parece que alguém está sempre atrás, que faz sempre as regras, o que provoca muita pressão, por isso, os nossos estudantes acabam a universidade em cinco anos, ninguém está a estudar oito e nove anos, como aqui. Não podemos passar para o ano seguinte sem termos todas as disciplinas feitas, o que é uma grande diferença em relação ao ensino em Portugal”.

Na Universidade de Aveiro, Lyudmila Billa está da dar um curso livre de russo, tendo como alunos estudantes universitários de vários cursos, e também alguns professores, entre os quais Helena Margarida, que “foi minha professora de português e que agora é minha aluna de russo. Como ela ensina português aos imigrantes, agora aprende russo para conseguir dar melhor as aulas e também para perceber melhor os seus alunos”.