Que sentido dar ao jejum e à abstinência?

“Podíamos dar ao jejum e à abstinência um outro tipo de sentido. Austeridade sim, mas não em coisas de antigamente que já perderam o sentido. Temos de reconhecer que coisas como não comer carne à sexta-feira perdeu um pouco o sentido. Mas há jejuns muito importantes que têm a ver com a nossa cultura. Por exemplo, jejum de palavras. Vivemos numa sociedade de um ruído tremendo. Muita palavra. Demasiada palavra. Vamos fazer um pouco de deserto. Vamos fazer um jejum de palavras. Vamos fazer mais silêncio. Sobretudo um jejum de maledicência, de acusação ao outro. Um jejum de telenovelas. Quem é maluco por futebol faça um jejum de futebol. Não veja tanto. Para quê? Não é para se sacrificar tolamente, é para se autodisciplinar e perceber que há coisas mais importantes na vida”.

Frei José Nunes, dominicano, em declarações à Agência Ecclesia