Educar…hoje Talvez, e estamos no campo das suposições, os pais daquele miúdo se tenham perguntado várias vezes o que ele iria fazer no futuro, ou talvez não se tenham preocupado muito. O certo é que, a acreditar numa breve biografia que li, aquele miúdo exasperava os professores com a falta de sucesso nos estudos.
Nascido em 1879, Prémio Nobel da Física em 1921, imigrante nos EUA desde 1933, fugindo às perseguições na Alemanha contra os judeus, atormentado por ter aconselhado a Roosevelt o fabrico de bombas atómicas, falecido em 1955, há precisamente 40 anos (a 18 de Abril), este miúdo surge como exemplo, quando se analisam comportamentos e sucessos escolares.
Quem não gostaria que o seu filho fosse autor de uma teoria importante para toda a Humanidade? Quem não gostaria que o seu filho fosse (um) Einstein? Mas não é fácil! Nem para os pais e os professores, nem para os filhos.
Hoje em dia, muitos alunos, preocupados desde os 10 / 12 anos com as suas carreiras profissionais, começam a lutar por notas – e não propriamente pelo conhecimento – que lhes permitirão entrar em determinado curso superior. Se não for em Portugal, que seja na vizinha Espanha. Assim, muitos antecipam o futuro, impossível de conhecer, vivendo numa ânsia proibitiva a uma aprendizagem e crescimento saudáveis.
Há muitos sinais dessa ansiedade, a que agora damos o nome de “stress”. Percebe-se facilmente quando uma criança é afectada pelas críticas dos colegas, dos pais e dos professores. E quanto mais novas, mais facilmente deixam entender o seu sentimento de frustração, com a lágrima ao canto dos olho, com as lágrimas a escorrer cara abaixo. Um exemplo concreto: quando um colega acerta numa resposta antes dos outros, se ele for “rotulado” de “bom aluno”, está tudo bem. Mas se for o “bom aluno” a não encontrar a resposta pronta, fica zangado consigo próprio. Isto é bom, se conseguir perceber que ainda não sabe tudo, e que está numa espiral de aprendizagem. Não é bom, quando não consegue realizar uma prova de avaliação, porque percebe que não vai tirar 100 por cento. Afinal, quem põe “rótulos” de “bom” ou de “mau aluno”? Porquê? Para quê?!
É importante aprender a lidar com o insucesso, nas aulas, nos intervalos, em casa. Há uns tempos, ouvi um psicólogo afirmar que, na escola, o melhor espaço de aprendizagem é o recreio. Aí, fomentam-se as relações sociais, desenvolvem-se atitudes e afectos. O recreio é, talvez a seguir à Família, a célula onde se aprende a viver em sociedade. Mas o primeiro espaço é sempre o da Família, onde se comentam as notas que o aluno leva para casa; onde se comenta a política e a economia do país; onde se fala de Religião; onde se lêem livros sobre Homens e Mulheres que transformaram o Mundo, sobre a História de Portugal, a História Mundial, sobre a Ecologia e outros assuntos.
Talvez, e estamos no campo das suposições, os professores e os pais destes miúdos lhes perguntem várias vezes o que vão fazer no futuro, apesar de ainda terem apenas 10 ou 12 anos (ou porque já têm 10 ou 12 anos?!!!). Mas que o façam sem os exasperar pela falta de sucesso nos estudos, ou pelos 90 por cento.
