O Leitor pergunta Recentemente, o meu pároco falou de um grupo chamado essénios, de que eu nunca tinha ouvido falar, mas que existiu no tempo de Jesus. Podem explicar melhor quem foram os essénios?
Depois de se ter referido que os essénios não são nomeados na Bíblia, afirmou-se na primeira parte da resposta a esta pergunta (3 de Agosto) que este grupo é conhecido desde a Antiguidade e que a essa comunidade pertenciam os célebres Manuscritos do Mar Morto – conjunto de documentos descobertos no séc. XX e que inclui livros bíblicos do Antigo Testamento e regras da comunidade.
5. O que se sabe hoje, a partir desses documentos? Que viveram na Palestina, do ano 100 a.C. até 68 d.C., que eram uma comunidade com uma estrutura hierárquica muito rigorosa (comandada pelo “Mestre de Justiça”); que eram admitidos na comunidade por etapas; que viviam afastados dos outros judeus; que tinham um conselho da comunidade; que tinham princípios muito fortes como a caridade fraterna, o desprezo das riquezas e dos prazeres; que tinham um grande culto pela Lei de Moisés; que obedeciam a muitos ritos (de purificação, das refeições, do sábado e dos tempos sagrados); que acreditavam na predestinação e na divisão do mundo entre o espírito do bem e do mal, da luz e das trevas (“gnose”).
6. Até que ponto a escola ou partido dos essénios (palavra que provém do grego essaioi “puros, santos” ou o hebraico esah, “conselho, decisão”) influenciou o cristianismo nascente continua a ser matéria de discussão. Pelas décadas 1970-80, chegou-se a afirmar que Jesus teria pertencido aos essénios, antes da vida pública. O romance de Susaku Endo, “Uma Vida de Jesus”, alimenta-se dessa hipótese – hoje totalmente afastada pelos investigadores. Mas ainda há alguns que dizem que João Baptista poderia ter pertencido em alguma fase da sua vida a esse grupo (por viver no deserto, por pregar a conversão, por ser radical…). Ou que o Evangelho de São João recolhe uma ou outra linha do modo de pensar dos essénios (como a oposição Luz/Trevas).
7. Os Manuscritos do Mar Morto (com dois milénios de existência) vieram comprovar o que já se suspeitava – mas não havia termo de comparação: que houve uma incrível fidelidade na transmissão dos textos bíblicos, apesar das sucessivas cópias à mão.
