Questões Sociais Existe uma convicção muito difundida, e baseada na legislação «ingénua», segundo a qual o governo do nosso país, como o dos outros, é assegurado pelos titulares dos respectivos órgãos de soberania: Presidente da República, parlamentares, membros do Governo e juízes. À escala mundial, considera-se extremamente poderoso o G 8, constituído por representantes dos países mais ricos. E o Presidente dos Estados Unidos da América é tido como «o homem mais poderoso do mundo». Será mesmo assim, na ordem dos factos? – É bastante discutível.
Os grandes interesses mundiais limitam, influenciam e ultrapassam o poder político em todo o mundo. Como se referiu no artigo anterior, podem incluir-se nos grandes interesses: o mundo subterrâneo, à margem da lei e da moral; os grandes capitais financeiros, cujos detentores procuram actuar em conformidade com a lei; as grandes empresas e os grandes grupos económicos, que também procuram actuar dentro da legalidade.
Cada um destes grupos de interesses é diferente dos outros dois, e também deveria ser tratado diferentemente. Possuem, no entanto, algumas características comuns: todos se aproveitam, em maior ou menor grau, da liberdade de circulação de capitais e da impotência dos Estados; nessa conformidade, escolhem os países e os «paraísos fiscais» que mais lhes convêm e, não raro, em que sejam menos respeitados os direitos humanos. Todos estes grandes interesses, lícitos ou ilícitos, exercem uma pressão permanente sobre os Estados, que generosamente lhes concedem apoios financeiros, isenções fiscais e outras vantagens, para atraírem os respectivos investimentos. Alguns grupos detêm um poder legal quase soberano, enquanto financiadores e concessionários de obras e serviços públicos.
O mundo subterrâneo vai para além de tudo isto: situa-se em toda a parte, e não se sabe onde está; trafica pessoas e sujeita-as à escravatura; pratica a violência armada, com ou sem a designação de «terrorismo»; como se fosse um Estado, ou um conjunto de Estados, impõe regras próprias e aplica sanções diversas, incluindo a tortura e a pena de morte. É enorme a capacidade deste mundo subterrâneo para escapar ao poder judicial e se servir dele; este poder e a investigação criminal raramente atingem os principais responsáveis, e esgotam-se a punir figuras secundárias e quem, para sobreviver (?), se deixa instrumentalizar por eles.
Quando multidões de cidadãos, mais ou menos bem intencionados, se manifestam ruidosamente contra o G 8 e contra outros poderes políticos, o mundo subterrâneo, e também outros grandes interesses, rejubilam com tamanha cumplicidade; essas contestações não os atingem a eles, deixam-nos mais livres e, deste modo, colaboram na sua ocultação.
