Quem se agarra à terra?! De jornalista a criador de cabras

Partilhando Há histórias que só vistas é que podem ser credíveis, mas quando testemunhadas, muitas vezes, nem é preciso ver para se acreditar contrariando mesmo S. Tomé.

Nos campos de cultivo (ainda de cultivo agreste!) deste torrão à Beira Mar Plantado, acontecem casos tão interessantes que merecem ser relatados, testemunhados, partilhados. E é dever do jornalista contar, não apenas os casos que fazem vender papel, (muitas vezes dispensáveis) mas, também, e essencialmente, os que educam, que cultivam, que formam.E quando eles vêm do interior do País, quase condenado a uma desertificação, mais sabor têm.

Sem mais comentários vamos partilhar.

Estive na noite de sábado numa sessão-trabalho-jantar na Colónia Agrícola da Gafanha (vid pag. 12)

Jovens de vários pontos do País fazem ali uma família e procuram conhecimentos para singrarem na vida da agricultura, mesmo no interior serrano.

Michael Gonçalves, nascido no Canadá, há 25 anos, com seus pais emigrantes,veio muito cedo para Portugal e aqui estudou. Licenciou-se em jornalismo e ainda trabalhou num grande jornal do Porto. Mas aquilo não lhe sabia bem, diz, e resolveu voltar à terra e arranjar algo que o realizasse.Em terrenos de seus pais e alguns adquiridos fez pastagem para quase uma centena de cabras que dão cabritos, e muito leite. É filho único e os pais ajudam-no no seu entusiasmo.A mãe é queijeira de leite que as cabras do filho lhe dão, enquanto o pai, lá pelas encostas da serra, se dedica ao pastoreio de 150 ovelhas e carneiros.

Concluindo: O filho, que foi jornalista, tem uma familiar empresa de cabras e cabritos; a mãe faz saborosos queijos ou do leite das cabras do filho ou do das ovelhas do marido.

Três empresas familiares numa família de três elementos.

A moral da história, que faz história em terras de Arganil, fica para os leitores e responsáveis deste País reflectirem na luta da sobrevivência em terras desertificadas!

Apraz-nos registar o facto aqui e levar a reflectir os nossos leitores que as terras do interior podem ser rentáveis se os incitamentos surgirem. Se os jovens se sentirem felizes com o fruto do seu trabalho, com certeza, que eles, os vocacionados para tal, começarão a sentir que nas serranias também vai correndo leite e… mel. Mas se lutam e no fim de um projecto idealizado, esse plano é frustrado, como é o caso, por exemplo, das quotas de leite ou da pesca, que lhes resta?!