Quem tem a chave destas portas?

Uma pedrada por semana Portas que se abrem e se fecham, a partir da festa da Comunhão Solene e do Crisma, para muitos que nesta festa foram protagonistas principais. Cada ano, com a dor de muitos párocos, a indiferença de muitas famílias, a tentação de desânimo de muitos catequistas, o ar crítico, mais ou menos sensível, de muitas comunidades, a interrogação e a perplexidade de muitos bispos, o rosto de alegria e entusiasmo dos que ficam e o encolher de ombros dos que partem a dizer “já chega”.

O problema põe-se sobretudo com os crismados. Já anda por aí, em revistas e jornais, com o desabafo de pastores e a interrogação persistente de cristãos mais conscientes.

Será problema sem solução? Bastará dizer que “sempre fica alguma coisa”? Mudar idades e tempos de preparação, fazer propostas aliciantes, juntar iniciativas com mais exigência, chegará? Tudo isto se faz e os resultados continuam poucos e passageiros.

A mudança interior é fruto do conhecimento e da compreensão do que está em causa. Só ela move vontades. Opera-se por um lento processo que se chama “iniciação cristã”, indispensável, e que a maioria nunca fez ou seja. A pedagogia de Cristo que deu motivos para se viver como homens novos, e não fez sermões para se decorarem.

O iniciado na fé, com caminhada feita por caminho adequado, embora sempre em crescimento e amadurecimento, é um baptizado, que com a ajuda de um cristão adulto, foi desenvolvendo em si as energias baptismais, saboreando o sentir-se amado de Deus, aberto à compreensão do mistério de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, na comunhão da Igreja, e disposto a assumir activamente a sua parte na missão no mundo. Tenta viver com liberdade e convicção no caminho iniciado, dar o que recebeu de outros, alicerçar no aprofundamento da fé os motivos pessoais para estar, agir e continuar na Igreja…Conheceu o caminho, entrou e tem agora condições para caminhar por seu pé.

Será que a catequese que, generosamente, se ministra ao longo de dez anos – caso único na Europa! –, é um ensinamento para a vida e faz cristãos alegres e conscientes?

A chave está nas mãos da Igreja, dos responsáveis e das comunidades. Digo-o com a convicção de alguém que está dentro e abriu caminhos.

A pedagogia do catecumenado é conhecida. Catequistas formados, comunidades acordadas, mãos responsáveis a orientar o arado. Mais do que estar sempre a “mudar fechaduras”, mostre-se aos jovens a seriedade cristã de quem se empenha na causa do Evangelho, que entrou e persiste no caminho.