Revista O número de Janeiro-Agosto de 2007 (nº 55-56) da Viragem dedica-se à “Radical Humanidade de Jesus”. Antes de mais, o que é a Viragem: revista do Metanoia, Movimento Católico de Profissionais, uma associação de cristãos, maioritariamente de Lisboa, mas também com alguns elementos em Aveiro e noutras partes do país.
Grande parte desta edição de 56 páginas está ocupada com as quatro comunicações de José Tolentino Mendonça proferidas num encontro de reflexão teológica do Metanoia.
No artigo “O enigma como pacto educativo”, o padre, poeta e biblista aborda a moderna investigação histórica acerca de Jesus; em “Isto é o meu corpo – e o que é um corpo?”, faz uma aproximação a “duas dimensões da radical humanidade de Jesus: a maneira como Ele habitou o espaço e o modo como Jesus viveu a mesa”, os “grandes laboratórios da nossa comum humanidade”. Em “Tu que me procuras, tu que me contas”, Tolentino Mendonça fala do impacto dos personagens secundários na revelação de Jesus Cristo. A mulher que com os cabelos enxuga os pés de Jesus, a mulher que toca na orla do manto de Jesus e fica curada, o cego Bartimeu – casos comentados – revelam que evangelhos “querem dar Jesus em directo”. “Não era mais simples fazer uma entrevista a cada um dos discípulos? Ouvir as suas memórias e, a partir dali, refazer a história? (…) Porquê esta paixão pelo directo?” “Contar Jesus em directo é uma ousadia que, no fundo, enfraquece a própria palavra: esta nunca é uma palavra de poder, nunca é uma palavra para atirar, nunca é evidente”, escreve Tolentino Mendonça, para concluir que “a Igreja, se quer assumir-se como comunidade narradora e narrada por esta palavra, tem ela própria de se constituir numa comunidade narrativa. Uma comunidade de narradores e narrados”.
Caminho do inesperado
O último ensaio do padre, que é também professor de Novo Testamento na Universidade Católica, mostra que é “dentro de uma perda que se realiza o encontro”. A perda é, como será fácil de entender, a morte de Jesus, o esboroamento da sua própria humanidade, já prefigurado na perda e encontro no Templo, aos 12 anos (Lucas 2). “Maria tem de fazer, então, o caminho do inesperado”. O mesmo “caminho do inesperado” será feito pelos discípulos de Emaús (Lc 24) e, intui-se, tem de ser feito pelos discípulos do tempo presente.
Outros textos
Esta Viragem é ainda composta por poemas de António Cardoso Ferreira e Paulo Bateira, uma partilha sobre o encontro de reflexão teológica de 2006, por Emília Leitão, a entrevista ao padre João Resina Rodrigues (pároco da Cruz Quebrada, cientista, professor universitário de Física durante três décadas) realizada por António Marujo (título: “Jesus aceitou experimentar o que é isso de andarmos aos papéis”), um texto de Adel Yussef Sidarus, sobre a relevância da Bíblia, que serviu de prefácio ao livro “Os Evangelhos Comentados 2007”, um testemunho de Jorge Wemans sobre o falecido padre catalão Bonaventura Peligri e a “Meditação para o dia dos meus 80 anos”, de Sidónio de Freitas Branco. “(…) Enquanto trato do cancro do fígado, não me devo esquecer de tratar dos possíveis cancros da alma”, escreve Sidónio Branco, que viria a falecer no dia 4 de Dezembro de 2006, com 81 anos.
Ilustram esta edição pinturas de Ilda David, que fazem parte da “Bíblia Ilustrada” (coordenada por José Tolentino de Mendonça, com texto de João Ferreira de Almeida, que no séc. XVIII traduziu pela primeira vez a Bíblia para Português), publicada pela Assírio & Alvim e pelo Círculo de Leitores.
Viragem
Revista do Metanoia – Movimento Católico de Profissionais
Nº 55-56, Janeiro-Agosto de 2007
O Metanoia – Movimento Católico de Profissionais, é uma associação privada de fiéis. “Integra pessoas com diversas experiências e sensibilidades disponíveis para procurarem sentidos de vida no encontro e na partilha, tendo como referência o Evangelho de Jesus” (www.metanoia-mcp.org).
Pedidos:
A revista Viragem pode ser pedida para metanoia@mail.telepac.pt. Este número custa 8 euros.
