A visita de Sua Santidade Bento XVI à Jordânia foi recheada de palavras e acontecimentos do maior significado, social, político, religioso. Atenho-me a duas circunstâncias, nas quais encontro motivos sobejos para reflectir e interpelar.
A primeira, a bênção da primeira pedra da Universidade do Patriarcado Latino, em Madaba. Das palavras do Papa, sobressaem os três objectivos da Universidade Católica: elevar o nível de vida da Comunidade; suscitar o amor pela verdade, promovendo nos alunos a adesão a valores e a liberdade pessoal; afinar o talento crítico, para dissipar a ignorância e o preconceito.
Uma Universidade Católica num Estado confessional de sinal diferente! Uma clara expressão de sadio pluralismo, de reconhecimento da complementaridade e projectos educativos diversos… Não teremos de reinventar a democracia neste Portugal que amamos?!… A Fé em Deus, como referiu Sua Santidade, “não elimina a busca da verdade; ao contrário, a encoraja”. E a busca da verdade só incomoda quem não quer ver a luz!
A segunda, as palavras de sua majestade Ghazi Bin Muhammed Bin Talal, dirigidas ao Papa por ocasião da sua visita à Mesquita principal de Amã. Antes de mais, a corajosa declaração da excepcional envergadura moral do Papa, “para falar e actuar em consciência, muito além das modas do momento”; como também do seu reconhecido e elevado contributo para o diálogo inter-religioso.
Mas, sobretudo, o elogio da contribuição da Comunidade cristã da Jordânia – ainda que numericamente minoritaríssima -, reconhecendo que “contribuíram incansável e patrioticamente para a construção da Jordânia”. Sua alteza desejou mesmo que este “espírito único da Jordânia” se torne exemplo para o resto do Mundo…
Valeria a pena que o Estado português, juntamente com muitos outros estados europeus, reconhecesse o inegável serviço prestado pelas Igrejas à Educação, à Saúde, ao Desenvolvimento social, à construção das Nações e da Europa… despindo-se, de vez, de preconceitos e aceitando que as religiões são dinâmicas importantes na Sociedade, são prestação inegável de clarificação e enriquecimento da cidadania!
Mas, para isso, será necessário recriar a democracia!
